Só metade dos jovens de 18 a 24 anos conclui o ensino médio

IBGE aponta que 11,1% das pessoas nesta faixa têm mais 11 anos de estudo. Trabalho retira muitos brasileiros da sala de aula

Tatiana Klix, iG São Paulo | 17/09/2010 10:00

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Os jovens brasileiros estudam muito menos tempo do que a própria constituição do País vai exigir a partir de 2016, quando o ensino obrigatório deixará de ser de nove anos para chegar aos 14. Segundo dados analisados pela Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, somente 37,9% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos tinham 11 anos de estudo em 2009 e outros 15,1% apresentavam mais de 11 anos de escolaridade. A união dos dois grupos aponta que apenas 53% concluem o ensino médio até o fim desta faixa etária. A média total de anos de estudo da população brasileira é de 7,2 anos.

A avaliação da escolaridade da população jovem é uma das maneiras de verificar a eficácia do sistema educacional, segundo a Comissão das Comunidades Européias. No Brasil, além do deficit nos anos de estudo nessa população, os dados detalhados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram uma grande desigualdade entre as regiões. Enquanto no Sudeste, 44% dos estudantes completaram 11 anos de estudos, no Nordeste a taxa é de 31,8%.

Pela Emenda Constitucional nº 59, aprovada em novembro de 2009, até 2016, os estudantes deverão chegar aos 18 anos com 14 anos de ensino completos. Uma meta distante hoje, já que a escolarização líquida – a proporção da população de determinada faixa etária que se encontra no nível adequado à sua idade – mostra que, mesmo entre os que estudam, menos da metade dos alunos de 18 a 24 anos (48,1%) estão no ensino superior.

Apesar da evolução ocorrida desde 1999 no nível educacional, os números são alarmantes: 8,14% ainda cursam o ensino fundamental (eram 24,8% em 1999) e 33,8%, o médio (41% em 1999). A baixa escolarização líquida nesta faixa é consequência dos atrasos ocorridos no início da vida escolar. Entre os jovens de 6 a 14 anos, 91,1% cursam o ensino fundamental, mas apenas 50,9% dos que têm idade entre 15 a 17 anos cursam o ensino médio.

Nível de ensino frequentado pelos estudantes de 18 a 24 anos (em %)

Gerando gráfico...
IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999/2009

 

Estudo x trabalho

Embora a frequência na escola seja naturalmente maior entre os jovens do que nas faixas posteriores, o IBGE revela que o País tem dificuldade em mantê-los estudando. Entre os brasileiros de 18 a 24 anos que conseguem completar 11 anos de estudo, pouquíssimos são os que continuam indo à aula: apenas 5,4%. A taxa sobe para 10,7% entre os que têm escolaridade de mais de 11 anos. A partir da observação das atividades realizadas pelos jovens nesta faixa etária é possível concluir que o trabalho é grande responsável por esta realidade. Dos jovens de 18 a 24 anos pesquisados, 14,7% declararam somente estudar, 15,6% conciliavam trabalho e estudo e 46,7% apenas trabalhavam. Outros 17,8% afirmaram que fazem trabalhos domésticos e 5,2% não realizavam nenhuma atividade.

Por outro lado, o mercado de trabalho exige e valoriza pessoas com boa escolaridade. Os números da Pnad evidenciam que entre os jovens economicamente ativos, ou seja, os que estão trabalhando, houve um aumento significativo entre 1999 e 2009 na proporção de pessoas entre 18 e 24 anos com 11 anos de estudo, de 21,7% para 40,7%. O mesmo ocorre entre os que têm mais de 11 anos de estudo: cresceu de 7,9% para 15,2%. A soma dos dois grupos mostra a maioria dos jovens – 55,9% – com mais escolarização do que a média geral do mercado de trabalho, no qual 47,2% de toda a população economicamente ativa com mais de 18 anos tem o ensino médio de 11 anos de estudo.

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