Site com estudos sobre políticas educacionais é lançado

Qualidade do professor, turmas pequenas e forma como diretor é escolhiso são fatores que impactam a aprendizagem

iG São Paulo |

Brasília – Um aluno cujo professor está entre os 20% melhores da rede de ensino pode aprender em um ano 68% mais do que aqueles que estudam com um docente que faça parte dos 20% piores. O tamanho da turma também influencia na qualidade do que o estudante aprende: em média, uma redução de 30% no número de alunos leva a um aumento de 44% no aprendizado.

Um projeto do Instituto Ayrton Senna e do Movimento Todos Pela Educação analisou, a partir de 165 estudos (140 internacionais e 25 nacionais), qual é o impacto das políticas educacionais no aprendizado dos alunos. O material foi reunido no site Caminhos para melhorar o aprendizado que servirá de base de consulta para pais, professores e gestores escolares. O site traz uma síntese dos estudos em 25 verbetes sobre políticas educacionais nas áreas de: recursos da escola; plano e práticas pedagógicas; gestão da escola; gestão da rede de ensino; e condições das famílias.

Um grupo de 17 pesquisadores de quatro universidades brasileiras – Fundação Getúlio Vargas (FGV), Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Universidade de São Paulo (USP) Universidade e Federal de Minas Gerais (UFMG) –, coordenado pelo pesquisador Ricardo Paes de Barros, analisou cerca de 600 pesquisas e selecionou as que cumpriram os critérios técnicos definidos pela equipe para compor os verbetes e recomendações apresentados no site. Uma das conclusões do trabalho é que diversos fatores podem influenciar a aprendizagem, mas a qualidade do professor é um dos mais determinantes.

As pesquisas reunidas por Paes de Barro indicam, por exemplo, que a maioria das características comumente observadas como medida de qualidade para um bom professor - nível de escolaridade, formação profissional e experiência – tem menos relação com o desempenho dos alunos do que o esperado. Critérios utilizados para seleção de profissionais e definição de salários, como titulação e tempo de carreira, não são necessariamente sinônimos de qualidade. “O sucesso do professor pode depender mais de características não observadas nas pesquisas, como liderança, motivação e persistência”, aponta o estudo.

Sobre a formação docente, os estudos apontam que o aprendizado dos alunos diferencia-se de acordo com a qualidade da instituição na qual o professor se formou. Esse fator tem mais impacto do que o fato de o professor ter ou não pós-graduação. “O aprendizado do aluno pode ser maior porque a universidade selecionou os candidatos mais talentosos e motivados para a profissão ou porque o curso foi capaz de conferir aos futuros professores as habilidades necessárias para o bom desempenho em sala de aula”, diz o texto.

A remuneração do profissional também tem peso nessa equação. Redes de ensino em que os salários são mais altos atraem para as salas de aula os melhores candidatos interessados em exercer aquela ocupação. Mas, segundo os estudos analisados, aumentos salariais ao longo da carreira que não estejam vinculados ao desempenho do professor têm pouco impacto no aprendizado. “A existência de algum componente variável na remuneração dos professores, como bônus atrelado ao desempenho, pode aumentar o nível de esforço e dedicação deles. Em ambos os casos, o resultado é uma melhora no desempenho dos alunos em exames de proficiência”.

* Com informações da Agência Brasil

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