SiSU é o processo seletivo do futuro, apontam especialistas

A primeira etapa do novo sistema de seleção de candidatos para as universidades terminou nesta quinta-feira. A iniciativa idealizada pelo Ministério da Educação, batizada de Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e que utiliza as notas obtidas por estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), reuniu em sua primeira experiência 47,9 mil vagas das federais. A expectativa de especialistas na área de educação é que, em poucos anos, todas as vagas disponíveis nas universidades públicas mantidas pelo governo federal participem dessa nova seleção.

Priscilla Borges, iG Brasília |

A justificativa apontada por eles é simples. Como os estudantes não serão excluídos dos processos seletivos das instituições por causa da distância física ou choque de data de aplicação das provas, as universidades vão selecionar alunos melhor qualificados. Elas vão sair ganhando. As boas universidades do mundo já aprenderam que precisam estar abertas para o mundo porque se forma melhor em ambiente cosmopolita, argumenta Leandro Tessler, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Tessler se utiliza da experiência de quem coordenou durante sete anos um dos maiores vestibulares do país, o da Unicamp, para defender o processo de democratização do acesso às vagas. Para escolhermos os melhores alunos, temos de aplicar provas em todo o País. O talento pode estar em qualquer lugar, destaca.

O professor afirma que a medida acaba com a reserva de vagas local. Ele lembra que, pensando nisso, a Unicamp aplica provas em diversos estados do País.

Júlio Gregório, professor e ex-subsecretário de Educação do Distrito Federal, concorda que o caminho é irreversível. Em dez anos, no máximo, todas as vagas das federais estarão no sistema. Vai levar um tempo até que o sistema se estabilize, mas essa é uma boa aposta, reforça. Ele acredita que, agora, os estudantes se sentirão estimulados a fazer o Exame Nacional do Ensino Médio. Com isso, a avaliação do ensino nas escolas do País será feita de forma mais fidedigna. Como não valia nada, o estudante não participava como quem quer demonstrar o que sabe.

As vagas oferecidas no SiSU atraíram candidatos de todo o País, que venceram dificuldades tecnológicas e de logística para se cadastrarem. Foram inúmeras as reclamações sobre a lentidão no sistema e dificuldades de preenchimento dos cadastros. A despeito de tudo isso, os números apresentados nesta quinta-feira pelo MEC impressionam. Quase 800 mil estudantes se inscreveram para disputar 47,9 mil vagas oferecidas pelo sistema por 51 universidades e institutos federais de educação.

Críticas

Apesar das vantagens da ideia, os especialistas avisam que ainda há muito o que melhorar no SiSU. Primeiro, na prova do Enem. Ela ainda pode melhorar do ponto de vista técnico. Algumas questões foram elaboradas de forma muito rápida e tinham duas respostas praticamente equivalentes por exemplo, comenta Tessler.

Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), é mais duro em suas críticas. Além de considerar a distribuição das vagas pelo SiSU um pregão que aflige os estudantes, ele condena o novo modelo da avaliação em si. Se provou uma proposta a toque de caixa mais para resolver problemas de seleção de universidades novas do que para impulsionar um ensino médio diferente, diz.

Ele considera a mudança no Enem um erro tático do Ministério da Educação. Primeiro, deveríamos ter mexido no ensino médio, depois no acesso ao ensino superior, defende. Fora isso, ele recorda os problema de infraestrutura do sistema, que ficou frágil nos primeiros dias de inscrição.

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