Sindicato perde briga com professores e greve continua no Ceará

Direção do sindicato teme que o governo abra processo administrativo por abandono de emprego para os que continuarem parados

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Nós vivemos um dilema entre a obediência à Justiça e o que a maioria da categoria decidiu em assembleia geral”, admitiu à reportagem do iG o presidente do Sindicato Apeoc, Anízio Melo

Os professores da rede estadual do Ceará, em greve há 50 dias, estão divididos. De um lado, o Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc) defende o retorno às salas de aula. De outro, um grupo antagônico detém a maioria e decidiu nesta sexta-feira (23) manter a paralisação. A direção do sindicato teme que o governo abra processo administrativo por abandono de cargo para os que continuarem parados e execute multa R$ 200 mil. determinada pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) por descumprimento de ordem judicial.

Eles conseguiram realizar uma nova rodada de negociação com o governador Cid Gomes (PSB) na última quinta-feira (23), graças à intermediação de deputados estaduais, após centenas de manifestantes realizarem um protesto na Assembleia Legislativa. A reunião aconteceu, o governador prometeu implementar um terço da carga horária para extraclasse em 2012, apresentar tabelas de reajuste no prazo de até 30 dias e realizar concurso público para professor em 2012. A condição dada por Cid foi que os professores voltassem às aulas.

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A categoria se reuniu nesta manhã e, apesar do avanço na pauta de reivindicações, não chegou a um consenso e decidiu, em assembleia, por uma maioria apertada, continuar a greve. “Nós vivemos um dilema entre a obediência à Justiça e o que a maioria da categoria decidiu em assembleia geral”, admitiu à reportagem do iG o presidente do Sindicato Apeoc, Anízio Melo.

A direção do sindicato está emparedada, segundo Anízio Melo, porque os compromissos assumidos pelo governador estavam condicionados à suspensão da greve. Como isso não aconteceu, ele teme que o governador peça a execução da multa terminada pela justiça por não cumprir decisão judicial que decretou a ilegalidade do movimento no valor de R$ 200 mil, atualmente.

Além disso, de acordo com os sindicalistas, durante a reunião o governador teria ameaçado abrir processo administrativo por abandono de emprego contra todos os professores que não retornarem às aulas na próxima semana. A próxima assembleia geral da categoria está marcada para acontecer somente na próxima sexta-feira (30).

Em nota, a Secretaria de Educação do Ceará (Seduc) não confirmou nem desmentiu que o governo irá executar a multa e enquadrar os professores grevistas, limitando-se a afirmar que o “governo tem demonstrado seu compromisso em manter o diálogo com a categoria. “Prova disso é que, só neste ano, realizou sete reuniões com a comissão de representantes dos professores”, diz o texto.

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