Seleção para Harvard é uma das mais criteriosas do mundo

Documentação é lida por pelo menos 2 pessoas. Se o aprovado não tiver como bancar o curso, universidade pode pagar até 100%

Silvana Mautone, especial para o iG, de Cambridge |

Harvard é uma das faculdades mais seletivas do mundo. Provavelmente a mais. Para o ano acadêmico que começa no próximo mês de setembro, 30.489 jovens se inscrevaram para o bacharelado e apenas 2.110 foram aprovados. Não há nota de corte. Todo material enviado pelos candidatos é lido meticulosamente do começo ao fim por pelo menos dois funcionários da equipe responsável pela seleção.

O sistema de graduação nos Estados Unidos é muito diferente do brasileiro. E em Harvard, em particular, o aluno não escolhe previamente em que área vai se formar. A universidade oferece dois tipos de bacharelado, que é chamado de “undergraduate program”: em Artes e em Ciências. Nos primeiros três semestres, os estudantes não precisam escolher em que área querem se especializar. “É um processo de autoconhecimento. Eles têm a chance de descobrir do que gostam ao longo do curso”, diz Jim Pautz, profissional responsável pela primeira análise das inscrições dos brasileiros no processo de seleção. Das 32 matérias necessárias para obter o diploma, apenas oito são obrigatórias, ou seja, os alunos escolhem 75% das aulas que vão frequentar.

Diferentemente do Brasil, algumas profissões, como Direito e Medicina, exigem um segundo diploma nos Estados Unidos, os chamados “graduate programs”, além do da graduação. O presidente americano, Barack Obama, por exemplo, primeiro se formou em Ciências Políticas, pela Universidade de Columbia, em Nova York, e só depois pode inscrever-se para o conceituado curso de Direito em Harvard, onde foi aceito.

Nos Estados Unidos, ao invés de cada universidade promover um vestibular, elas geralmente solicitam o resultado de dois testes: o Scholastic Aptitude Test (SAT) e o American College Testing (ACT). O SAT é um exame mais analítico, consiste em interpretação de texto, gramática, redação e matemática. Já o ACT é mais voltado para checar o aprendizado ao longo dos anos de escola. As questões avaliam o conhecimento do aluno em inglês, matemática, ciências, interpretação de texto e redação. A pontuação máxima desses testes é 800, e a média, 500. A maioria dos aprovados para estudar no Harvad College obtém acima de 600 pontos.

Além dos resultados do SAT e do ACT, a comissão julgadora avalia o histórico escolar dos candidatos. “Nossos alunos geralmente fizeram parte do grupo dos 10% melhores em suas escolas”, diz Pautz. Mas notas boas não garantem o passaporte para Harvard. “Olhamos o todo. Avaliamos se o estudante trabalha ou não, se precisou, por exemplo, cuidar de irmãos mais novos, se seus pais cursaram faculdade. São situações que influenciam nas oportunidades que o estudante teve na vida”, afirma Pautz. “Cada caso é um caso.”

O interesse do estudante fora da sala de aula é outro ponto fundamental no processo de seleção. No formulário de inscrição para a graduação, há uma pergunta específica sobre isso. Os avaliadores querem saber quais são os hobbies do candidato, suas atividades extracurriculares, se já trabalhou como voluntário em algum lugar. “A vida no campus é um elemento forte no ambiente universitário americano. Buscamos alunos que queiram aproveitar não só as vantagens acadêmicas que oferecemos, mas de todo o campus”, diz Pautz. “Se a pessoa canta, toca algum instrumento ou joga futebol, queremos saber. O importante é que seja algo pelo qual ela tenha profundo interesse.”

No processo de seleção para o MBA na Harvard Business School (HBS), considerada uma das melhores escolas de negócios do mundo, isso também é levado em conta. “Nós buscamos pessoas com perfil de liderança e essas informações nos ajudam muito para conhecer melhor os candidatos”, diz Pauline Jennett, uma das responsáveis pela seleção para o MBA. No último ano, foram cerca de 9.500 candidatos para pouco mais de mil vagas.

Na HBS, são analisadas as notas durante a graduação e a obtida no GRE General Test ou no Graduate Management Adminission Test (GMAT) – são aceitos os dois exames. A escola de negócios de Harvard pede ainda o TOEFL, certificado de proficiência em inglês, para os estudantes estrangeiros (o Harvard College também exige inglês fluente, mas não requer nenhum tipo de certificato).

Outra diferença é que no processo de seleção para a graduação não há entrevistas pessoalmente, enquanto na HBS, sim. Neste ano, cerca de 1.800 candidatos foram entrevistados. “O estudante não precisa vir até os Estados Unidos conversar com a gente. Oferecemos a possibilidade de a entrevista ser feita em vários países, ele escolhe onde for mais conveniente”, diz Jennett.

Dicas úteis

- Não deixe a inscrição para a última hora. Os candidatos aprovados geralmente começam a se dedicar para os testes e a preparar toda a documentação necessária com pelo menos seis meses de antecedência. A média é um ano.

- Depois de escrever, ler e reler as redações solicitadas, peça para alguém que conhece você bem lê-las. Essa pessoa ajudará a avaliar se você conseguiu expressar suas qualidades de forma clara e convincente. Mas não peça a opinião de muitas pessoas para não correr o risco de ficar confuso e despersonalizar o texto.

- Solicite cartas de referência somente a pessoas que conhecem você profundamente, como professores ou chefes diretos. Mais importante do que o cargo de quem envia a carta de recomendação é o que essa pessoa poderá dizer a seu respeito que o diferencie dos demais candidatos.

- Caso você tenha tido notas baixas em algum período da escola ou da faculdade devido a problemas pessoais, como doença ou a morte de um parente, destaque essa informação. A equipe responsável pela escolha dos estudantes lê todo o material encaminhado pelo menos duas vezes e analisa caso a caso.

- Não deixe de concorrer a uma vaga em Harvard, seja na graduação, no MBA, na pós ou no doutorado, devido aos custos com o curso e estadia. A universidade analisa a condição financeira de cada um dos alunos aprovados e, dependendo do caso, banca 100% das despesas. Cerca de 70% dos estudantes recebem algum tipo de ajuda financeira. A instituição também auxilia na obtenção de empréstimos junto a bancos americanos.

- Uma vez por ano, geralmente em maio ou junho, um profissional da comissão julgadora da HBS faz uma apresentação no Brasil sobre o curso de MBA. Para ser informado por email sobre esses e outros eventos de seu interesse, basta se cadastrar no site da escola, clicando aqui .

- Para mais informações sobre como estudar em universidades americanas, acesse o site do Instituto de Liderança do Rio (ILRIO), organização não-governamental criada em 2009 por ex-alunos brasileiros das universidades de Harvard, Princeton e Pennsylvania.

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