“Se você quer ser um líder global, vá para Harvard”, diz reitor

No Brasil, reitor da Harvard Business School diz que escolas de negócios do País demorarão a ter avanço das empresas brasileiras

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Em visita ao Brasil, Nitin Nohria, reitor da Harvard Business School, disse que embora a economia e as empresas brasileiras já estejam entre as melhores do mundo, levará um tempo para que as escolas de negócios daqui alcançem o mesmo prestígio. Para ele, instituições educacionais têm um tempo diferente de construção. Daí o conselho: “Se você quer ser um líder global, vá para Harvard.”

O reitor da unidade de pós-graduação especializada em negócios veio inaugurar o ciclo de palestras Grandes Universidades a convite da Fundação Estudar. Nos próximos meses, representantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP), e da também norte-americana Yale farão o mesmo.

Ao final de uma simulação de aula em que mobilizou a platéia em torno de um caso corporativo, Nohria aproveitou a ocasião para reforçar o convite de ingresso que Harvard tem feito cada vez mais a brasileiros. “É difícil passar, mas nós queremos que vocês tentem.”

Em uma conversa com os jornalistas, o reitor disse que a participação crescente do Brasil nas classes de Harvard se deve ao crescimento da economia e das empresas. Em 20 anos, a instituição toda formou 622 brasileiros, agora, só a Business School tem 17 matriculados para o próximo semestre. “Os estudantes do Brasil são cada vez melhores porque as empresas também o são. Ao mesmo tempo, com mais companhias globais, o País passa a precisar de maior formação de líderes”, resumiu.

Na opinião dele, a velocidade do mercado não pode ser seguida pelas instituições educacionais, por isso as faculdades brasileiras e de outros países emergentes ainda não figuram entre as top internacionais na área. “Acho que o Brasil tem feito bom progresso, o Insper em pouco tempo tem conseguido bons resultados. Nós levamos 100 anos para chegar onde estamos.”

Além da reputação, ele destaca entre os diferenciais de Harvard a oportunidade de estudar com pessoas de vários países. Quase 40% dos alunos da unidade de negócios são estrangeiros. “Se você estudar numa boa instituição no Brasil vai compartilhar conhecimento basicamente com brasileiros. Em Harvard, com chineses, indianos, europeus, norte-americanos e pessoas do mundo todo, essa rede de contatos é um patrimônio valioso”, diz, concluindo: “Quem tem interesse em focar apenas na economia local, deve estudar no Brasil. Se você quer ser um líder global, vá para Harvard.”

Crise econômica

No Brasil na semana seguinte ao rebaixamento da nota dos Estados Unidos pela agência de avaliação de risco financeiro Standard & Poor's, o reitor também falou sobre a nova configuração da economia global. “Acho que o rebaixamento foi mais um recado do que um sinal de risco de que o governo não possa honrar suas dívidas. Os Estados Unidos continuam um país com muito dinheiro, mas os avaliadores disseram: não basta ser rico, é preciso ter um governo forte.”

Se você estudar no Brasil vai compartilhar conhecimento basicamente com brasileiros. Em Harvard, com chineses, indianos, europeus, norte-americanos e todo o mundo. Essa rede de contatos é um patrimônio valioso"

Ele também falou sobre o plano do governo brasileiro de enviar 100 mil alunos para o exterior e a crítica feita pelo Sindicato de Universidades e Faculdades, de que estes estudantes seriam aceitos na Inglaterra para sanar dívidas das instituições. "As universidades européias têm um modelo muito diferente das americanas, baseado em ajudas dos governos e dos cidadãos e que sofre diante da crise. Não é o nosso caso, somos tradicionalmente financiados com dinheiro privado e financeiramente sólidos."

Indiano radicado nos Estados Unidos há três décadas, ele ressaltou que o mundo tem nova configuração econômica global menos polarizada e com a participação cada vez maior dos emergentes, com um papel importante do Brasil. Para o reitor, a mudança já pode ser notada no comportamento dos brasileiros. “Estive aqui nos anos 90 e me lembrou muito a Índia: qualquer coisa que você disse, as pessoas respondiam que era interessante, mas não daria certo aqui e apontavam culpados. Agora, vejo que estão adotando uma postura de assumir o problema, o que é um grande salto.”

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