São Paulo e Santa Catarina têm os menores índices de abandono no ensino fundamental

O investimento em políticas de promoção durante a alfabetização e na formação de professores tem sido um dos grandes aliados no combate ao abandono escolar. Essa é a receita dada por Estados que conseguiram diminuir as taxas de estudantes que largam a escola e figuram entre os melhores do País nesse quesito. Em 2008, São Paulo e Santa Catarina perderam apenas 0,8% dos alunos.

Priscilla Borges, iG Brasília |

Apesar de as taxas de abandono terem reduzido em todos os Estados brasileiros, muitas crianças continuam parando de estudar. O iG divulgou neste domingo dados do Ministério da Educação (MEC) que revelam: 1,4 milhão de estudantes deixou de estudar em 2008, o que representava 4,4% dos matriculados na rede pública de ensino. O número é considerado um avanço, o menor da década até então, mas ainda longe do ideal.

O direito à educação é garantido pela Constituição Federal a todas as crianças e todos os adolescentes, reforçado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Portanto, o MEC espera criar parcerias com os Estados para não deixar que as estatísticas escondam a quantidade de indivíduos que estão longe das salas de aulas.

Não queremos estigmatizar os que apresentaram índices piores. Precisamos discutir esses dados e encontrar saídas junto com os gestores estaduais e municipais, ressalta a coordenadora geral do Ensino Fundamental da Secretária de Educação Básica do MEC, Edna Martins Borges. Nosso País é muito grande e diverso, precisamos dividir experiências, especialmente as de sucesso, pondera.

Receitas de sucesso

O iG ouviu gestores das secretarias de educação dos estados que apresentaram menores taxas de abandono no último levantamento feito pelo MEC. Em Santa Catarina, apenas 7.317 dos 914.582 estudantes matriculados no ensino fundamental deixaram de lado os estudos em 2008. Segundo Francisco Fernandes, coordenador de Avaliação das Informações Estatísticas da Secretaria de Educação de Santa Catarina, a queda começou em 1992, quando o índice de abandono era de 7,08%.

A qualificação dos professores e a melhor distribuição de renda per capita no estado foram fundamentais, afirma. Ele destaca que o Bolsa Família também colaborou nesse sentido. Muitas crianças puderam voltar à escola e deixar de trabalhar para complementar a renda familiar, conta. As séries finais do ensino fundamental são as que apresentam maior taxa de abandono: 1,4%. Fernandes conta que a secretaria está estudando programas para melhorar o ensino nessa fase.

Em São Paulo, empatado com Santa Catarina na liderança do ranking dos Estados com menor abandono escolar, 12.787 alunos abandonaram o ensino fundamental em 2008, dos quase 1,6 milhão matriculados. O secretario estadual de Educação, Paulo Renato Souza, atribui o desempenho ao aproveitamento do aluno. Aluno que evade é o aluno que repete, que não acompanha a escola. Colocamos atenção na recuperação durante o ano, afirma.

O secretario destaca também a mudança no perfil dos docentes que davam aulas de recuperação. Até o ano passado, professores mais experientes completavam sua jornada só com aulas regulares. Quem ficava com as aulas de recuperação eram os temporários menos experientes. Este ano isso mudou. Isso fará diferença, aposta.

No Distrito Federal, 8.064 estudantes desistiram de continuar os estudos em 2008. Eles representavam 1,9% dos 424 mil alunos matriculados no ensino fundamental. O índice também é o menor dos últimos nove anos. Em 2000, a taxa de abandono era de 5%. Para Luciano Barbosa Pereira, gerente de ensino fundamental da Secretaria de Educação do DF, a implantação do bloco inicial de alfabetização em 2005 e o investimento na carreira docente fizeram a diferença para manter as crianças na escola.

Nos três primeiros anos de escolaridade da criança, não há reprovações. Acreditamos que o sucesso no início da escolarização é fundamental para a motivação do aluno, comenta. Segundo Luciano, hoje, apenas 1 mil professores da rede só possuem o curso de magistério. Os outros 28 mil docentes que atuam no ensino fundamental têm graduação e 42% deles, pós-graduação. O plano de cargos e salários também faz diferença para o sucesso da educação, afirma. Os professores que trabalham 40 horas semanais na rede pública, de acordo com ele, ganham cerca de R$ 4 mil.

O gargalo do DF também se concentra nos anos finais do ensino fundamental. Mais precisamente no 6° ano, quando as crianças trocam de colégio, ganham mais matérias, professores e responsabilidades. Nessa série, o abandono atinge 4,4% das crianças, a média nacional. Não é um número tão alto, mas é significativo. Esperamos que, com o fim do primeiro ciclo do ensino fundamental de nove anos, quando o ciclo da alfabetização foi introduzido, esse índice reduza, ressalta.

Para ele, os colégios que recebem as crianças da fase inicial também devem passar por modificações para amenizar o impacto dessa transição. Luciano conta que, há cinco anos, debates sobre o assunto se tornaram recorrentes na rede do DF. A proposta é que os ambientes das séries finais sejam mais lúdicos e mais receptivos às crianças.

* Colaborou Gabriela Dobner, iG São Paulo

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