Saiba o que é um avião supersônico

Desde que o brasileiro Santos Dumont, considerado o pai da aviação, decolou com seu 14 Bis em 1906 em Paris, a aviação passou por uma rápida evolução. Esses pássaros metálicos ficaram cada vez maiores e mais rápidos transportando milhões de pessoas todos os anos ao redor do mundo ou servindo como algumas das armas mais avançadas em batalhas.

Carlos Ferreira |

Hoje, as aeronaves mais velozes são os aviões supersônicos, construídos para voar mais rápido do que a velocidade do som. Para se ter uma ideia, a velocidade do som no ar varia com a densidade e, portanto, com a altitude. Ao nível do mar em um dia a 15ºC de temperatura ela é de 340 m/s ou aproximadamente 1220 km/h.

O primeiro voo supersônico aconteceu em 1947 nos EUA, quando o piloto da Força Aérea norte-americana Charles Elwood "Chuck" Yeager quebrou a barreira do som pilotando o avião batizado de Bell X-1. Porém, o X-1 não decolava do chão, mas de um bombardeiro B-29.

Entre todos, o supersônico mais conhecido em todo o mundo foi o Concorde, que iniciou seus voos comerciais em 1976. Ele era capaz de voar a uma velocidade de Mach 2, ou seja, duas vezes a velocidade do som chegando a 2.170 km/h.

Mas, além de um milagre da tecnologia da época, o Concorde também será lembrado pela tragédia do dia 25 de julho de 2000, quando um supersônico da Air France caiu pouco depois de decolar de Paris, deixando 113 mortos. Seus voos foram totalmente suspensos em 2003. Hoje, aviões supersônicos estão limitados apenas a fins militares.

Como funciona?

Para voarem acima da velocidade do som, as aeronaves possuem características aerodinâmicas e estruturais próprias, segundo o professor Bento Silva de Mattos, da Divisão de Engenharia Aeronáutica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Realmente, o avião supersônico tem várias diferenças em relação àqueles subsônicos. Eles possuem aerofólios finos, asas em forma de flecha (delta), fuselagem esbelta como a do Concorde e motores capazes de proporcionar elevada tração, disse.

Além disso, essas aeronaves possuem uma série de peculiaridades como sistemas de comando e controle mais sofisticados, entradas de ar do motor com ajustes aos diferentes regimes de velocidades e mecanismos de controle da posição do centro de gravidade.

Ultrapassando a barreira do som

Um avião no céu comprime o ar que está à sua frente. Quando o avião vai devagar, essa compressão se propaga para longe com a velocidade do som, por isso ouvimos o barulho de um avião antes dele passar. Mas, quando o avião tem a velocidade do som no ar, essa compressão não pode escapar e o ar comprimido à frente dele se torna uma espécie de muralha produzindo grande atrito. Ao superar essa barreira, a aeronave produz um forte estrondo, que é o "rastro" das ondas sonoras do avião.

Ao passar para o regime supersônico, as várias ondas de choque presentes ao longo da superfície do avião juntam-se em duas grandes ondas de pressão causando o que se denomina de "sonic boom" ou, em uma tradução literal, "pancada supersônica", afirma Mattos. 

Essas ondas causam grande desconforto às pessoas em terra e são capazes até de causar danos materiais. Por isso, voos comerciais supersônicos eram limitados aos oceanos e áreas desabitadas.

Para visualizar melhor como isso acontece, imagine um barco atravessando lentamente um lago. Pequenas ondas irão se propagar da mesma maneira à frente e atrás do barco, e ele irá se deslocar através delas. Mas, se ele se mover a grande velocidade, as ondas não conseguem sair de seu caminho com rapidez suficiente. A água se choca contra o casco do barco com mais força formando um rastro, que se propagará até a margem.

Atualmente, há um grande esforço da comunidade aeronáutica em desenvolver configurações de aeronaves capazes de minimizar ou reduzir drasticamente o "sonic boom", o que permitiria cruzar o céu supersonicamente acima de áreas habitadas.

Assista ao momento exato do "Sonic Boom"


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