Resultado em escola no Cantagalo deixou secretária de Educação “chocada”

Para Cláudia Costin, atividade cultural não teve sinergia com aprendizagem. Prefeitura aumenta carga horária para 7h/dia, implanta série de programas especiais e espera melhora

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
Escola do Cantagalo teve o pior desempenho no Ideb apesar do ambiente cultural ativo
A secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin, afirmou ao iG que o mau resultado do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Presidente João Goulart no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2009 deixou todos no órgão “chocados”, por conta do “ambiente cultural rico” que cerca a escola. A nota da escola nos anos finais do Ensino Fundamental foi 1,8, o pior resultado da rede.

O complexo Rubem Braga, onde fica, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, conta com Espaço Criança Esperança, Afroreggae e o projeto Dançando para não dançar, além da frequente visita de políticos e turistas, inclusive celebridades. “Foi um resultado muito negativo. Todos ficamos muito chocados quando apareceu, em julho de 2010. Cheguei a imaginar erro na aplicação do teste, porque era algo estranho, que destoava. Imaginamos e há evidencias de que quando há um ambiente cultural rico o resultado tende a melhorar”, disse. “Aparentemente, as atividades culturais não conseguiam ter sinergia com o processo de aprendizagem lá”, afirmou Cláudia Costin.

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Vista na entrada da escola do Cantagalo

Como outras 115 escolas mal avaliadas, a João Goulart passou a fazer parte do programa “Nenhuma Criança a Menos”, estratégia de reforço escolar para os 10% dos alunos com o pior desempenho na Prova Rio, e para 116 escolas das 970 avaliadas da rede.

O coordenador pedagógico teve cursos, o colégio recebeu auxílio de uma escola “madrinha”, com perfil semelhante, porém bem-sucedida, em um plano de melhora.

“A João Goulart não melhorou, apesar de ter havido escolas que superaram a madrinha e de 63% das escolas do amanhã terem atingido a meta”, explicou a secretária.

No primeiro momento, a direção foi mantida, mesmo tendo recusado alguns projetos da secretaria, como um programa de mediação de conflitos oferecido. Finalmente, em maio, a direção e a coordenação pedagógica foram afastadas.

Na opinião de Cláudia Costin, “havia um problema de gestão de aprendizagem”.

“O sucesso escolar depende de professor e diretor. A rede pode apoiar, com currículo e material de apoio, mas depende muito da equipe escolar".

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Crianças brincam na área comum do Ciep e do Criança Esperança
A Secretaria de Educação pôs estagiários para o reforço escolar, e a escola passou a funcionar no turno de sete horas diárias, quase integral. O Ciep também recebeu o ‘Bairro Educação’, conjunto de atividades que o integram ao bairro, em passeios culturais estruturados a museus, por exemplo, com aula preparatória e de retorno.

“Consideramos uma escola que merece e precisa de atenção. Com essas medidas, Esperamos já uma mudança na prova do Ideb de outubro”, afirmou Cláudia Costin. “Esta matéria desfaz mitos. Escola com piscina ou com aparato não é garantia de aprendizado.”

O iG contactou por telefone o Espaço Criança Esperança duas vezes na tarde desta terça-feira. O repórter foi orientado a enviar e-mail com perguntas sobre o tema da reportagem, o que foi feito, mas não obteve resposta.

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