Casos de agressão, violência e indução ao consumo excessivo de álcool infelizmente são comuns em universidades no começo do ano letivo. Relembre alguns casos que tiveram grande repercussão e veja as medidas adotas pela universidade para punir os responsáveis e evitar trotes violentos.

2/2/2010

Um calouro de 18 anos foi agredido e obrigado a beber álcool combustível . Durante oito horas, o estudante de veterinária da Unicastelo, em Fernandópolis, cidade localizada a 533 quilômetros de São Paulo, sofreu agressões físicas e psicológicas durante um trote praticado por alunos veteranos da universidade.

Medida da universidade

A Unicastelo instaurou uma comissão de sindicância que apresentará um relatório ainda neste mês. A universidade afirma que, assim que os agressores forem identificados, serão expulsos.

11/2/2009

Duas universitárias foram queimadas por produtos químicos despejados em seus corpos durante o trote de recepção aos calouros realizado na Fundação Educacional de Santa Fé do Sul, a 623 km de São Paulo. Priscila Vieira Muniz, 18 anos, na época grávida de três meses, era aluna do curso de análise de sistemas e teve queimaduras de primeiro grau nas duas coxas, nádegas, costas e cotovelo. Outra estudante, J.S.R, de 17 anos, aluna do curso de letras, foi atacada ainda dentro da faculdade e sofreu queimaduras nas costas.

Futura Press  
Jovem sofreu queimaduras em trote


Medida da universidade

A instituição, que hoje é chamada de Faculdades Integradas de Santa Fé do Sul (Funec), abriu uma sindicância interna, localizou a aluna responsável pelos ataques e a expulsou. Durante o ano de 2009 a faculdade fez uma campanha antitrote para banir totalmente a recepção violenta dos alunos. De acordo com a assessoria de comunicação da Funec, outdoors foram espalhados pela cidade e camisetas distribuídas, promovendo a recepção amigável dos calouros. Após o episódio, a Câmara dos Vereadores aprovou uma lei municipal recomendando o fim do trote na cidade.

9/2/2009

O calouro Bruno César Ferreira, 21, foi vítima de agressão física e entrou em coma alcoólico . Ele afirma ter sido chicoteado e amarrado em um poste onde sofreu agressões. O calouro também diz ter sido obrigado a entrar em uma lona com fezes de animais e ter sido forçado a tomar pinga. O estudante desistiu de cursar medicina veterinária na Anhanguera Educacional, em Leme (SP), onde havia sido aprovado.

Medida da universidade

O Centro Universitário Anhanguera abriu uma sindicância que acabou por expulsar dois alunos e suspender outros sete, por 15 dias, como pena pelas agressões e pelo constrangimento causado a Ferreira.

04/08/2008

Onze estudantes aprovados no vestibular da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais, foram queimados com uma substância química não identificada . Os jovens foram parar no hospital com queimaduras de 1º grau.

Medida da universidade

A universidade abriu uma comissão interna para apurar as denúncias, mas ainda não concluiu os trabalhos e não determinou nenhuma penalidade aos seis alunos envolvidos no trote violento. Segundo a assessoria de imprensa da universidade, o processo administrativo encontra-se em curso porque os alunos acusados entraram com diversos recursos que impuseram novas análises. Desde então, a universidade passou a reforçar a campanha antitrote com cartazes, palestras e atividades culturais. Desde junho de 2008 o trote é proibido no campus.

31/01/2005

Calouros da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF), em Garça (SP), foram amarrados a uma camionete e obrigados a caminhar descalços por cerca de 2 km. Os alunos ficaram com queimaduras de 2º e 3º grau nos pés.

Medida da universidade

A faculdade abriu uma sindicância interna que apurou a participação de sete alunos no trote violento. A comissão expulsou um estudante, suspendeu dois e advertiu outros quatro. Segundo a assessoria de imprensa da FAEF, desde então, os cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal, que costumavam aplicar trotes, recebem uma atenção especial no começo do ano. A instituição promove atividades para os calouros como visitas técnicas a empresas e fazendas da região, palestras e integração com os pais. Ao mesmo tempo, os veteranos têm atividades e avaliações intensificadas na primeira semana, com o objetivo de que também fiquem com o tempo livre ocupado.

22/2/1999

Edison Hsueh foi encontrado morto na piscina da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz após uma festa de recepção aos novos alunos da faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. O calouro não sabia nadar e morreu afogado.

Caso não solucionado

Em 2006, o caso foi arquivado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entendeu que não havia provas suficientes para sustentar a acusação de homicídio qualificado imputada pelo Ministério Público. Os réus eram Frederico Carlos Jaña Neto, o Ceará, que disse ter matado Edison em um vídeo feito durante uma festa, mas desmentiu a afirmação, explicando que a fizera em tom de brincadeira, Ari de Azevedo Marques Neto, Guilherme Novita Garcia e Luís Eduardo Passarelli Tirico. O arquivamento atendeu a um pedido de habeas-corpus feito pela defesa.

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