Reitoria da PUC-SP divulga nota sobre a ocupação estudantil

Reitor alerta para as consequências administrativas e chama de 'ilógico' pedido dos estudantes de redução das mensalidades

iG São Paulo |

A reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) divulgou nesta sexta-feira uma nota sobre a ocupação estudantil da sede da instituição realizada na manhã de ontem. O reitor Dirceu de Melo alerta à comunidade puquiana para os problemas administrativos que a ocupação irá causar e chama de “ilógica” a principal reivindicação do movimento estudantil, a redução do preço das mensalidades.

O movimento estudantil alega ter entregue para o Conselho da PUC-SP um abaixo-assinado com 2.200 assinaturas solicitando a redução das mensalidades, a abertura do edital de bolsas da Fundação São Paulo (mantenedora da instituição), a construção de uma creche para os filhos de mães funcionárias e alunas e a redução do preço do bandejão, entre outras pautas.

Paulo Alexandre/Futura Press
Estudantes colocaram faixa exigindo a redução de mensalidades (18/11)

Segundo a comissão de comunicação do movimento estudantil da PUC-SP, os estudantes não têm previsão de quando vão liberar a sala da reitoria e pretendem ocupar a sala até a direção da instituição reduzir as mensalidades.

Veja a íntegra da nota da reitoria:

São Paulo, 19 de novembro de 2010
À Comunidade Puquiana

Da inoportunidade, injustiça e ilegalidade – ilegalidade do ponto de vista criminal, inclusive –, já o disse, e com precisão, nota divulgada em seu site pela Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, acerca da invasão e ocupação da Reitoria e Secretaria Geral da Universidade, verificadas no dia de ontem, 18 de novembro.

É por isso que, sem qualquer tipo de ressalva, subscreve tal manifestação o Reitor da Instituição.
A nota da Reitoria, neste momento, tem por objetivo alertar alunos, professores e funcionários acerca de possíveis conseqüências do ato de pessoas que, seguramente, não falam e nem procedem em nome da grande maioria dos puquianos.

Para começar, porque ilógico pensar-se possa uma Universidade privada, que vive praticamente da contribuição financeira dos alunos, cogitar da gratuidade de seus cursos, da redução, ou da não atualização das mensalidades que cobra, ante a realidade de inflação que, já admitida pelos institutos de pesquisa próprios, aponta para recomposições indeclináveis.

Demais disso, interferindo com o comando maior da Universidade, precipitam invasão e ocupação conseqüências que, nesta altura, sequer se pode prever. Expedientes vários e importantes – documentos, processos, correspondência, etc., etc. – se encontravam na Reitoria e na Secretaria Geral. O que quer dizer que, de plano, o segundo maior Colegiado da Universidade, ou seja, o Conselho de Administração (CONSAD) não tem condições de se reunir.

Questões de vital importância para a Universidade, sujeitas ao cumprimento de prazos – Orçamento, Plano de Desenvolvimento Institucional, Relatório de Atividades e Plano de Ação para 2011 –, consequentemente, ficam com sua discussão interrompida.

Questões igualmente vitais, outrossim, pendiam de exame pelo Conselho Universitário da Universidade (CONSUN), cujos membros, malgrado agendada sessão do órgão para 24 de novembro, nem pode o Reitor convocar.

Também preocupantes, sobretudo nesta altura do ano, reflexos acadêmicos e econômicos, diretos ou indiretos, que as restrições a que submetidas Reitoria e Secretaria Geral da Universidade poderão desencadear.

Esses, em apertada síntese, os prejuízos que o ato de alguns acabam impondo à grande maioria dos que freqüentam e vivem a Universidade. Sem se falar nos danos à própria Instituição, em sua imagem e conceito perante a opinião pública e autoridades ligadas ao ensino universitário.

Prof. Dr. Dirceu de Mello
Reitor

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