Reitores querem federais fora do corte do orçamento do MEC

Andifes irá negociar com o governo federal para que universidades não sejam afetadas pela redução da verba

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Apesar de ainda não detalhado, o corte de R$ 3 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC) preocupa os reitores das universidades federais. O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira, afirma que irá negociar com o governo federal para que as universidades sejam excluídas da contenção de despesas discricionárias – aquelas em que o governo tem poder de deliberação sobre sua execução, como gastos com diárias, passagens, compra de material e contratação de serviços. 

“Cortes de qualquer natureza e qualquer valor são motivos de preocupação forte nas universidades. Colocam a qualidade em risco”, declara o presidente da associação e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG). A política da Andifes será lutar pelo “não corte” nas universidades e institutos federais. 

Expansão das federais

De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o corte não afetará os programas da pasta, que poderão até ser ampliados. “Nosso orçamento saltou de R$ 62 bilhões em 2010 para R$ 69 bilhões em 2011 (depois dos cortes). Nosso orçamento vem crescendo de forma consistente ao longo dos anos. Agora, teremos de fazer um ajuste muito pequeno, de 1,5% em relação ao previsto. Vamos fazer uma acomodação do orçamento nas verbas de custeio. Será uma redução quase imperceptível à luz do orçamento do ano passado”, declarou Haddad nesta terça-feira. 

O presidente da Andifes avalia que não há espaço algum para corte nos projetos que estão em andamento, como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e o plano nacional de formação de professores. Já a contenção de despesas pode trazer problemas. “O corte nos gastos com passagens, diárias e compra de material comprometem a qualidade acadêmica. Defesas de dissertações de mestrado, realização de concursos, congressos não podem ser afetados”, destaca. 

Madureira avisa que as universidades irão procurar de toda a forma colaborar com o ajuste fiscal e racionalizar as despesas, “não comprometendo a qualidade das universidades”. 

Reformas

O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Walter Albertoni, avalia que o corte não é muito substancial. “Nós reitores somos contra, porque nos opomos a qualquer corte em educação, mas não há motivo para desespero”, acredita.

A Unifesp enfrenta reformas nos campi de Guarulhos e da Baixada Santista, que ainda não teve as instalações definitivas entregues. “Está tudo sendo tocado. O que está em andamento seguirá normalmente”, garante o reitor.

* Colaborou Priscilla Borges, iG Brasília

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