Reitor da Unesp sugere ranking ibero-americano

Universidades da região têm desafios diferentes e devem ser pautadas por outros indicadores, afirma professor

Marina Morena Costa, enviada a Guadalajara |

Inseridas em sociedades desiguais e com poucos recursos financeiros para pesquisa, as universidades ibero-americanas devem se pautar por indicadores que mensurem a responsabilidade social e seu papel. Herman Voorwald, reitor da Unesp, apresentou a ideia durante o II Encontro de Reitores Universia, realizado entre os dias 31 de maio e 1º de junho em Guadalajara, no México.

“A proposta do ranking é pensar em quais indicadores seriam importantes para que, com eles, diferenciássemos a qualidade das instituições da ibero-américa. Uma universidade que gera conhecimento na região onde ela está inserida é muito importante. Significa muitíssimo para a sociedade e isso deveria ser mensurado”, destaca Voorwald.

De acordo com o reitor, as universidades ibero-americanas – com exceção de Portugal e Espanha –, são pautadas por indicadores científicos aplicados a instituições centenárias e que não enfrentam problemas de recursos. “Estamos em outro contexto, com outras variáveis igualmente importantes que não são mensuradas.”

Responsabilidade social

Ser socialmente responsável é uma tarefa comum às universidades da região e um dos temas debatidos no encontro de reitores. Para Walter Albertoni, reitor da Unifesp, a responsabilidade social está na inclusão de alunos de classes menos privilegiadas e na integração com o Estado e a comunidade. “A forma como a universidade está inserida é fundamental. Ela deve procurar resolver os problemas da região se integrando à comunidade”, afirma Albertoni.

A solução encontrada pela Unifesp para incluir os estudantes carentes foi por meio da política de cotas raciais e para alunos da rede pública. “Nós não tiramos vagas dos não-cotistas. Nós ampliamos as vagas em 10% para incluir esses alunos que não tinham acesso à universidade. As cotas mudam o conceito de universidade como sendo destinada à elite e revertem em benefício para a sociedade. É uma ação temporária, mas uma ótima forma de incluir”, avalia o reitor.

Já a Unesp, optou por outro tipo de ação afirmativa, intervindo no ensino fundamental e médio. “Temos um curso de pedagogia semi-presencial para capacitar 1.300 professores da rede pública estadual”, conta o reitor da instituição. “Nossa instituição é pública, mantida com recursos de uma população carente, sem acesso à educação superior. A universidade tem de encontrar formas de permitir o acesso, fazer com que a população pobre ingresse e permaneça. Os programas de apoio e permanência da Unesp representam grande parte do nosso orçamento.”

Albertoni destaca o avanço do ensino superior nos últimos cinco anos. “Dobramos o número de vagas em instituições públicas e o orçamento do MEC deu um salto significativo. É uma caminho sem volta. Por mais que mude o governo, não há como não avançarmos ainda mais.”

Pesquisa

Os reitores destacam a história recente das universidades brasileiras e do trabalho de pesquisa. “As três públicas estaduais de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp) não tem nem 100 anos. A USP que é a mais antiga vai fazer 76 anos e a Unesp, a mais nova tem 34 anos. Juntas, essas três universidades respondem por 85% da produção de pesquisa do Estado, sendo que São Paulo concentra 50% da produção nacional. Elas estão entre as 500 melhores universidades do mundo, mas nós queríamos estar entre as 100”, pondera Voorwald, reitor da Unesp.

A pesquisa no Brasil também é muito recente e há 20 anos não existia, segundo Voorwald . “Os rankings mundiais são praticamente indicadores de pesquisa. O país tem avançado bastante, em 2008, ultrapassamos a Holanda em produção de pesquisa. Sendo que o País investe 1% do PIB em pesquisa, fica difícil a gente competir em pé de igualdade com outros países que investem mais de 2% do PIB”, analisa o reitor.

Na avaliação de Voorwald, as universidades ibero-americanas enfrentam o dilema de contribuir com pesquisa e a questão social. “Não somos só ensino, pesquisa e extensão. Temos também políticas afirmativas, inclusão e responsabilidades social.”

* A repórter viajou a convite da organização do evento

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