Reino Unido coloca redes como política de educação

O Reino Unido é o local em que as redes sociais mais avançam na educação. Se no Brasil os ambientes virtuais de aprendizagem ainda dão os primeiros passos, naquele país o governo adotou como meta levar as redes a todas as escolas públicas.

Agência Estado |

A ideia, além de permitir a interação entre os estudantes, é fazer com que todos os dados dos alunos - desde histórico escolar a trabalhos realizados - estejam online num mesmo ambiente.

Cada escola é responsável por escolher como se equipar tecnologicamente. O governo garante a verba. "Não forçamos nenhuma escola a nada", diz Niel McLean, diretor executivo da Becta, órgão responsável por distribuir os recursos educacionais. "Mas é desejável que todas tenham um ambiente virtual de aprendizagem. Tentamos convencê-las. Os jovens hoje estão acostumados às redes sociais. Ter esse ambiente na escola é uma forma de atraí-los para uma educação mais dinâmica."

Nesse cenário, há uma abundância de soluções, muitas parecidas com as do Brasil, outras mais avançadas. Mas são pagas. A maioria não deve em nada em recursos a redes sociais famosas como Orkut e Facebook. Além disso, permitem conectar, ao mesmo tempo, estudantes de escolas britânicas e estrangeiras e organizar toda a produção da vida escolar do aluno. Se ele mudar de colégio, os dados podem ser transferidos para a rede da nova instituição.

O maior sinal desse movimento foi conferido pela reportagem na feira de tecnologia em educação BETT Show (www.bettshow.com), a maior do mundo, realizada em janeiro em Londres. Entre centenas de estandes, empresas mostraram as últimas tendências para ambientes de aprendizagem: 1) os serviços estão cada vez mais parecidos com redes como o Orkut; 2) a ideia agora é conectar várias escolas, até de diversos países.

Além de ter um perfil virtual permanente, o aluno pode participar de grupos de discussão, postar fotos e vídeos, criar um blog e bater papo em texto e vídeo. Também é possível compartilhar arquivos entre alunos e professores. "Os ambientes estão parecidos às redes virtuais tradicionais", diz George Tomas, da empresa It´s Learning.

Na prática, essas redes servem para que escolas como a Broadclyst, que fica na cidade de Devon, estimulem os alunos a compartilhar, estejam em casa, na escola ou até no hospital. "A rede ajudou quando uma aluna esteve internada. Pelo web, ela acompanhava o que acontecia na escola", conta o diretor, Jonathan Bishop. Na escola, há uma sala de aula que eles chamam "do futuro", em que todos ficam conectados e há até projetores no teto.

Outra possibilidade cada vez mais presente nesses ambientes é a de conexão com outras escolas do Reino Unido e de outros países. A Raki.ki (www.rafi.ki), por exemplo, propõe projetos conjuntos com instituições do país que adotaram o sistema e estrangeiras - essas últimas, que podem ser brasileiras, não pagam. Os projetos buscam conectar os alunos para discutir temas como pobreza, meio ambiente, etc.

O repórter viajou a convite do United Kingdom Trade & Investment e do Consulado Britânico em São Paulo.

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