Rede privada de ensino estaciona na média do Ideb

Escolas particulares só aumentaram índice na 4ª série do ensino fundamental

Priscilla Borges, iG Brasília |

O desempenho da rede privada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – criado pelo Ministério da Educação para acompanhar a qualidade de ensino nas escolas do País – continua superior ao da rede pública. A diferença de aprendizado diminuiu ao longo dos anos, mas continua grande. Em média, os índices das particulares são 50% superiores aos das públicas, de acordo com os resultados de 2009 divulgados pelo MEC.

Nas séries iniciais do ensino fundamental, o Ideb da rede pública saltou de 4,0 para 4,4 entre 2007 e 2009, o intervalo da avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela coleta e análise dos dados. Nas escolas privadas, a média saltou de 6,0 para 6,4. O índice coloca as escolas particulares dessa etapa no mesmo nível dos países desenvolvidos, que teriam nota 6,0 no Ideb.

A diferença é ainda maior no 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio. Nas séries finais, as escolas públicas obtiveram nota 3,7 em 2009. Enquanto na rede privada foi de 5,9. As públicas cresceram 0,2 ponto entre 2007 e 2009. As privadas, 0,1 ponto. No ensino médio, etapa que obteve os menores crescimentos do País, as públicas ficaram com média 3,4 e as particulares, 5,6.

A evolução na educação básica

O Ministério da Educação calculou diferentes metas para cada sistema de ensino. Confira a evolução dos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos últimos anos.

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Inep/MEC

A análise dos índices obtidos pelas redes nos últimos quatro anos mostra que a distância entre as duas redes diminui a passos lentos. E revela também que a rede pública avançou mais, enquanto as escolas particulares estagnaram o ritmo de aprendizado nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio. Para alcançar o nível de qualidade educacional dos países desenvolvidos – que servem de patamar para a evolução planejada pelo MEC – elas também precisam crescer e chegar ao índice 6,0.

Sem crescimento
As metas de desenvolvimento estabelecidas pelo Inep são diferentes para cada rede. Os desafios são elaborados de acordo com a capacidade de cada sistema e foram programados para serem alcançados aos poucos. A rede pública cumpriu os patamares planejados para as três etapas. Em alguns casos, superou as projeções para 2011.

Porém, na rede privada, o mesmo não aconteceu. Nas séries iniciais, as metas foram superadas. Mas nas séries finais e no ensino médio, não. Para Angela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é preciso que os pais observem melhor o ensino dado aos filhos. “Cria-se uma imagem de que, por ter uma mensalidade cara, a escola é boa. Mas isso não é verdade”, comenta.

Angela acredita que o fato de os índices nacionais estarem distantes dos estrangeiros, sejam públicos ou privados, são sinal de que a educação brasileira precisa melhorar. “Há uma política implantada para a melhoria da escola pública, que foi definida a partir de progressos pequenos, mas constantes. Porém, os colégios particulares seguem a política que querem, quase sempre uma lógica de mercado apenas”, critica.

Aprendizado maior
As proficiências obtidas pelas escolas públicas e privadas em matemática e língua portuguesa na Prova Brasil em 2009 mostram que os alunos das privadas estão em vantagem. Em matemática, a média dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental da rede pública ficou em 242 pontos. Valor muito parecido com o alcançado pelas crianças do 5º ano do fundamental na rede privada: 241 pontos.

Em língua portuguesa, os alunos das séries iniciais das particulares alcançaram 220 pontos, enquanto os das públicas da mesma fase, 180 pontos. Os alunos do ensino médio nas escolas privadas obtiveram 329 pontos em matemática e 310 em português. O desempenho dos colegas da rede pública ficou em 266 e 262, respectivamente. É quase o mesmo nível de conhecimento apresentado pelos alunos do 9º ano das privadas: 294 em matemática e 279 em português.

Angela Soligo pondera que a diferença de aprendizado está relacionada não só às condições estruturais das escolas públicas, mas refletem também a desigualdade social entre as famílias que frequentam cada uma. A condição socioeconômica e cultural dos pais influencia o aprendizado dos estudantes, que já chegam mais preparados à escola.

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