Rede de cursos mira Enem e quer investir R$ 60 mi

Gigante de preparatórios telepresenciais pretende investir milhões na criação de webcenters e no exame nacional do MEC

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Em menos de sete anos, a rede de ensino LFG, fundada pelo ex-juiz e professor de direito penal Luiz Flavio Gomes, tornou-se uma gigante na área de ensino não-presencial. Com transmissão ao vivo de aulas geradas em estúdios de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Distrito Federal e Valinhos (SP) para 400 unidades no País, a rede atinge cerca de 130 mil alunos – 80 mil em cursos preparatórios para concursos públicos e para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Após uma fusão avaliada em R$ 180 milhões com a Anhanguera Educacional, empresa de capital aberto, a LFG quer expansão. Gomes pretende chegar a 2 mil cidades oferecendo em atuais e novas unidades uma estrutura de “webcenters”. “Vamos criar locais onde os alunos assistirão a aulas em boxes. Posso transmitir os 150 cursos diferentes que oferecemos em vez de oferecer um curso para 150 pessoas. A aula será individualizada e personalizada”, explica. A estimativa do presidente da LFG é de um investimento de R$ 60 milhões na nova estrutura.

Outro filão do mercado educacional que a LFG está de olho é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Vamos lançar em junho esse curso (preparatório para o Enem) para treinar a primeira turma para a prova de novembro”, revela Gomes. O fato de o exame ter se tornado um vestibular nacional e condição necessária para estudantes disputarem bolsas de estudo pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) estimulou a rede a preparar um curso especial para a prova.

Aprovado em concursos públicos para a Promotoria Pública e a Magistratura, Gomes conhece as dificuldades da aprovação e criou um método de aula que tem dado resultado – só em 2010, a LFG contabiliza 7.392 mil aprovações em concursos. “Todas as nossas aulas levam motivação (ao aluno). No sentido de que é possível superar tudo, todos os obstáculos. Se você faz do concurso seu projeto de vida, você alcança o resultado”, afirma.

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Luiz Flávio Gomes, jurista e presidente da rede de ensino LFG
Leia entrevista de Luiz Flávio Gomes concedida ao iG Educação:

iG: O maior obstáculo para quem presta concurso é a dificuldade da prova, o conteúdo abrangente ou a concorrência?

Luiz Flávio Gomes: O maior obstáculo é a falta de preparação. As provas são difíceis, exigem muito do candidato, e cada uma tem suas particularidades, definidas no edital. A concorrência existe, todos os concursos são muito concorridos, mas a grande maioria é eliminada logo no começo, porque não tem a mínima base. Depois a concorrência fica entre pessoas mais capacitadas, mas este é o afunilamento final. Quem mais treinou leva. Treinamento neste caso significa muitas horas de estudo, e às vezes anos. Meu filho acabou de passar na magistratura e ficou quatro anos e meio estudando todos os dias. Na minha época, eu estudei dois anos para o Ministério Público. Depois estudei mais um ano para a magistratura. É normal, é isso mesmo, os concursos são difíceis. Tem de ter preparo. Eu brinco com os meus alunos que o que faz a diferença no concurso é o HBB: horas de bunda no banco.

iG: É importante traçar um plano objetivo de investimento no concurso?

Luiz Flávio Gomes: O aluno tem de ter objetivo e clareza de que se está fazendo um investimento muito rentável. Do ponto de vista econômico é extremamente rentável. Se você faz um investimento de um ano ou dois anos, você gasta X. Há salários que em dois, três meses pagam todo este investimento. Não existe isso no mundo financeiro de aplicações. É um ótimo investimento.

iG: Como você analisa o crescimento da LFG na área dos cursos preparatórios?

Luiz Flávio Gomes: O sucesso de uma empresa na nossa área está muito ligado ao número de aprovações, porque é o termômetro da qualidade do ensino e dos professores. Como já temos 208 mil aprovações, em todos os concursos do País, este número confirma que o grupo é de sucesso. Credito este sucesso à tecnologia, à metodologia e à pedagogia motivacional, que faz total diferença.

iG: O que são aulas motivacionais?

Luiz Flávio Gomes: Temos uma preocupação muito forte com pedagogia motivacional. Não é só o lado psicológico do concurseiro que está ansioso por buscar uma vaga, um emprego. Ele tem também seus problemas pessoais, que se somam aos problemas da preparação, como tempo de lazer limitado, muitas horas de estudo, falta de receita financeira, isso tudo gera um mundo de desequilíbrio emocional. E os professores dão uma ajuda neste sentido. O estilo de aula já nasceu assim em 2003. Todas as nossas aulas levam motivação. No sentido de que é possível superar tudo, todos os obstáculos. Se você faz do concurso seu projeto de dia, você alcança. Dois mais dois é igual a quatro. Com a quantidade de informações que a gente passa e a assimilação deste conteúdo, o aluno fica preparadíssimo para responder àquelas questões.

iG: Quando você percebeu que deveria investir em aulas telepresenciais?

Luiz Flávio Gomes: Logo que me aposentei como juiz, em 2000, desenvolvi esse projeto de levar a informação para todos, sem que os alunos necessitassem vir aos grandes centros urbanos estudar para os concursos. Lecionei em cursos por 17 anos e recebia alunos do Brasil inteiro. Percebi o quanto isso era difícil, problemático e custoso para os estudantes. Logo meu raciocínio foi: por que eles têm de vir? Nós é que devemos chegar até eles.

Alessandra Gerzoschkowitz
Professor da LFG em ação; aulas são gravadas e transmitidas via satélite
iG: As aulas também podem ser assistidas pela internet?

Luiz Flávio Gomes: Possibilitamos que muitas aulas sejam acessadas pela internet. Mas o curso é basicamente em sala de aula, presencial ou por meio de um telão que retransmite a aula via satélite. Como estamos em 400 cidades, o aluno pode assistir à aula em uma de nossas unidades, caso ele esteja viajando. Mesmo quem esteja em férias ou em outra cidade pode dar continuidade ao curso.

iG: Você contava com a realização de um negócio milionário como a fusão com a Anhanguera em 2008?

Luiz Flávio Gomes: Não. Nada disso eu contava. Meu único objetivo e propósito era democratizar a informação. Eu mesmo tive muita dificuldade. Quando me preparei para um concurso, tive de me mudar para São Paulo com muito custo porque não tinha condições econômicas. Nunca cooptei que isso pudesse valer uma fortuna. Isso aconteceu como consequência, não como objetivo.

iG: O que mudou desde a fusão?

Luiz Flávio Gomes:  Eu não estava em graduação e agora estamos também em graduação e pós-graduação. Estamos presentes em mais 200 cidades. São 600 no total, 400 LFG e 200 na Graduação, unidades Anhanguera. Isso muda muito, porque você passa a vivenciar outro tipo de educação. Uma coisa é formar num curso superior e outra coisa distinta é preparar para um concurso.

iG: Este é o próximo salto?

Luiz Flávio Gomes: Em termos de graduação sim. No preparatório estamos com um projeto de expansão muito rápida da nossa rede que será lançado em maio. Vamos criar locais onde os alunos assistirão a aulas em boxes. Posso transmitir os 150 cursos diferentes que oferecemos em vez de oferecer um curso para 150 pessoas. A aula será individualizada e personalizada. O aluno que quiser assistir ao curso preparatório para a OAB, ou para um determinado concurso, ou uma graduação, assistirá à aula em seu box. Hoje temos um engessamento: transmito a aula ao vivo de manhã e os alunos do Brasil inteiro têm de assistir à aula naquele mesmo horário, pelo telão. Com este sistema novo de webcenter a aula é distribuída, fica arquivada no HD das unidades e pode ser assistida em qualquer momento, quando o aluno puder.

iG: Qual é a estimativa do investimento neste sistema?

Luiz Flávio Gomes: O investimento é alto. Cada webcenter custa cerca de R$ 30 mil. Queremos implantar pelo menos 2 mil, 3 mil unidades de plano agora. Temos aí pelo menos uns R$ 60 milhões de investimento. Nas cidades grandes, as pessoas não suportam mais os deslocamentos, o trânsito ficou infernal. Nossa ideia é atingir as periferias, para que as pessoas não precisem vir ao centro estudar. Nós vamos levar o curso até eles. Queremos também entrar na área do Enem para preparar os jovens para disputar uma vaga no ProUni ou nas universidades federais.

iG: Por que o Enem?

Luiz Flávio Gomes: Porque o Enem é um exame nacional, tem o caráter de vestibular e porque é por meio dele que as pessoas conseguem as bolsas do ProUni. Muitas pessoas se preparam para o Enem por causa da possibilidade de uma bolsa de estudos. Estou selecionando professores adequados e treinados para ter a linguagem do Enem, que é jovem. Vamos lançar em junho esse curso para treinar a primeira turma para a prova de novembro. As aulas sairão de São Paulo potencialmente para serem transmitidas para os novos webcenters. Outra novidade para este ano é o lançamento de um canal de iPTV, televisão digital pela internet, voltado somente para a atualização jurídica. Dedicado aos profissionais da área, juízes, advogados, delegados, promotores, advogados.

iG: Qual conselho você dá para as pessoas que estão estudando para concursos públicos?

Luiz Flávio Gomes: As vagas existem, os salários são bons e o emprego público tem garantias. Por que você não consegue? É uma questão de dedicação, empenho e matemática. Em algum momento você vai naturalmente passar. Não pode nunca desistir, tem que alimentar o sonho, persistir naquilo que você realmente quer. Persistência, bom planejamento de estudos, foco neste projeto de vida, resultam na aprovação.

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