Redação será a maior peneira na Unicamp, dizem professores

Profissionais do Cursinho da Poli consideram questões objetivas tranquilas, mas dizem que textos tem alto nível de exigência

Lucien Adedo, especial para o iG |

A grande novidade do vestibular da Unicamp deste ano foi a mudança no formato da prova da primeira fase que, depois de anos sendo realizada com questões dissertativas, passou a ser composta por perguntas de múltipla escolha e por três redações. Estas últimas causaram apreensão entre os candidatos e, segundo os professores do Cursinho da Poli, com razão.

De acordo com a professora do cursinho Eclícia Pereira, a prova de redação estava extremamente complexa, misturando mais de um gênero de escrita e exigindo do aluno conhecimentos adquiridos durante todo o ensino médio.

"Até o ano passado, os gêneros de escrita eram bem definidos. Neste ano, o candidato deveria, por exemplo, escrever um artigo opinativo tendo por base uma crônica", explica Eclícia.

Como se não bastasse, esse era apenas um dos três textos que o aluno tinha que escrever. Os outros dois eram um comentário a partir de um gráfico que deveria ser interpretado e um discurso para uma apresentação de um evento. Para a professora, no novo formato do vestibular da Unicamp, não há peneira maior para os candidatos do que a redação.

"A partir da perspectiva de um professor, é uma prova admirável. É o sonho de qualquer um de nós poder cobrar isso dos nossos alunos. Mas, quando a gente pensa no nível do ensino de hoje, essa prova é, infelizmente, inalcançável para grande parte dos candidatos."

Nível das outras disciplinas é mais tranquilo

Em contrapartida ao forte nível da redação, as questões das outras disciplinas estavam relativamente mais tranquilas. Seja nas provas de Matemática, Ciências Humanas e Artes ou Ciências da Natureza.

Edson Futema, professor de biologia, avaliou a prova como fácil, com questões que exigiam conhecimento de conteúdo e sem interdisciplinaridade. Segundo ele, a exceção foi uma questão que abordava o "linkage", matéria que, diz Futema, não costuma fazer parte da grade curricular das escolas públicas devido ao fato de elas serem um pouco mais comprimidas que a das escolas privadas.

Guilherme Geribello, professor de matemática, seguiu a mesma linha e também considerou as questões de sua área como fáceis. "A Unicamp manteve a tradição de fazer uma prova inteligente. Apesar de terem sido relativamente fáceis, as questões exigiam um raciocínio do aluno, sem pedir coisas decoradas, além de ligar os conhecimentos adquiridos em sala de aula com as experiências do cotidiano. Acho que estava mais fácil do que no ano passado."

Já Bassam Ferdinian, professor de física, viu um nível médio nas questões de sua disciplina e pensa que o conteúdo cobrado é aquilo que se espera de alguém que deseja entrar em uma universidade do porte da Unicamp.

"Como sempre, a prova estava muito bem equilibrada, como deve ser na primeira fase. São alunos que prestam para todas as áreas, ou seja, deve ser privilegiado o conhecimento e não a 'decoreba'", avalia Ferdinian, que afirma não ter visto nenhum choque entre os formatos de 2010 e deste ano.

Elias Feitosa de Amorim Junior achou de nível médio a prova de história, disciplina que leciona no Cursinho da Poli. "Os textos eram curtos, objetivos e sem ambiguidade. Deu para perceber que eles tentaram dividir os temas equilibradamente, mas o que chamou a atenção foi a ausência de questões de filosofia e sociologia, matérias que estavam no programa do vestibular".

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