Recessão põe em dúvida retorno de universidades de elite nos EUA

Estudantes americanos questionam se instituições famosas fazem diferença no futuro

The New York Times |

Enquanto milhares de estudantes americanos correm para cumprir os prazos de inscrição das universidade do país, pode valer a pena perguntar-lhes: onde vocês passarão os próximos quatro anos de suas vidas realmente importa?

A estagnação da economia e o aumento nos custos das universidades apenas intensificaram as dúvidas sobre instituições famosas e caras fazerem alguma diferença. Será que as pessoas com diplomas dessas universidades ganham mais dinheiro? Será que elas conseguem mais espaço em programas profissionais melhores? Conseguem conexões melhores? E elas estão mais satisfeitas com suas vidas ou, pelo menos, com seus trabalhos?

Muitos conselheiros vocacionais das universidades vão dizer que sim, mas isso pode soar protecionista até mesmo para os pais e alunos mais distraídos.

Em geral, as respostas a tais perguntas não podem ser encontrados nos dados colhidos por rankings educacionais, que tendem a se concentrar nas médias dos exames de admissão ou taxas de rejeição das universidades. Pode ser difícil medir algo como a satisfação dos alunos cinco ou 10 anos após a conclusão do seu curso. Além disso, ao medir o sucesso ou a qualidade de vida de alguém, o que deve ser levado em consideração?

Mas economistas e sociólogos têm tentado resolver o problema. Sua pesquisa, ainda que limitada, sugere que escolas de elite podem fazer a diferença na renda e na colocação em cursos de pós-graduação. Mas felicidade na vida? Essa é uma pergunta para outro dia.

Entre as pesquisas mais citadas sobre o assunto está um estudo de economistas da Rand Corp e Brigham Young e da Universidades de Cornell, que descobriu "uma forte evidência de um retorno econômico significativo entre as pessoas que frequentaram uma instituição privada de elite e algumas evidências sugerem que esta recompensa aumentou ao longo do tempo".

Agrupando universidades pelas mesmas instâncias de seletividade utilizadas em um popular guia de instituições americanas, o Barron's, os pesquisadores descobriram que os alunos das faculdades mais seletivas ganhavam, em média, 40% mais ao ano do que aqueles que se formaram em universidades públicas, tal como calculado 10 anos depois que se formaram no colegial.

Os mesmos pesquisadores revelaram em um estudo separado que "frequentar uma universidade particular de elite aumenta significativamente a probabilidade do estudante concluir um curso de pós-graduação, mais especificamente em uma universidade de pesquisa importantes".

Uma ressalva importante: estes estudos, que acompanharam mais de 5.000 graduados, alguns por mais de uma década, já têm mais de uma década de idade. Durante esse período, é claro, o preço de uma educação em universidade de elite ultrapassou em muito o ritmo da inflação, para não falar do custo de suas concorrentes públicas (mesmo tendo em conta os altos preços de algumas universidades públicas, especialmente na Califórnia, que sofrem com as crises de orçamento do Estado).

Por exemplo, o ensino integral em Princeton custa mais de US$ 50.000 este ano, enquanto em Rutgers, a universidade do Estado, o valor pago por moradores do Estado é menos da metade disso. Os números são semelhantes para a Universidade da Pensilvânia e a Universidade Estadual da Pensilvânia.

Apesar da diferença entre preços de escolas públicas e privadas, Eric R. Eide, um dos autores desse estudo disse não ter visto qualquer indício que poderia convencê-lo a rever a conclusão a que chegou em 1998.

"A educação é um investimento a longo prazo", disse Eide, diretor do departamento de economia da Brigham Young, "Pode ser mais doloroso pagar por esse investimento agora. As pessoas podem estar mais hesitantes em entrar em dívida por causa da recessão. Na minha opinião, elas deveriam estar pensando a longo prazo na vida de seus filhos".

Ele acrescentou: "Eu não acho que os custos da faculdade estão aumentando mais rápido do que os retornos de uma formação em uma faculdade particular de elite".

Ainda assim, uma falha neste tipo de pesquisa sempre foi o fato de ser muito difícil separar o impacto da instituição das habilidades inatas e qualidades pessoais do indivíduo. Em outras palavras, se alguém tivesse sido aceito em uma universidade de elite, mas optado por ir para uma instituição mais comum, suas conquistas a longo prazo seriam as mesmas?

Em 1999, economistas de Princeton e da Fundação Andrew W. Mellon analisaram alguns dos mesmos dados usados por Eide e seus colegas, mas de uma maneira diferente: eles compararam estudantes em universidades mais seletivas e outros de "capacidade aparentemente comparável”, de acordo com a sua pontuação nos testes de admissão e classificação de classe, que estudaram em instituições menos seletivas, seja por opção ou por rejeição.

O salário dos graduados dos dois grupos eram parecidos – talvez mudando a trajetória de prestígio que percorreram. (A única exceção foi a de filhos de "contextos familiares desfavorecidos" que pareciam ganhar mais ao longo do tempo, se frequentassem faculdades mais seletivas. Os autores, Stacy Berg Dale e Alan B. Krueger, não especulam o porquê, mas concluem: "Esses alunos parecem se beneficiar de uma universidade de elite").

A remuneração, e até mesmo a frequência escolar, é claro, são apenas duas das muitas medidas de sucesso pós- universidade.

No final, alguns pesquisadores ecoam a sabedoria de conselheiros de vocacionais: a maneira como uma pessoa aproveita a oferta educacional de uma instituição pode ser mais importante a longo prazo do que o nome dessa instituição.

Nesta análise, o curso – e como ele se alinha com os pontos fortes de uma universidade – pode ser mais significativo do que o lugar da instituição na hierarquia acadêmica.

"Tudo o que descobrimos após estudar as experiências de estudantes universitários é que há mais variabilidade dentro das universidades do que entre elas", disse Alexander C. McCormick, ex-funcionário de admissão na sua alma mater, a Faculdade Dartmouth, e agora professor adjunto de educação na Universidade de Indiana, em Bloomington.

"Esta é a ironia, dado o predomínio da mentalidade do ranking de quem é n º 5 ou n º 50", disse McCormick. "A qualidade da biologia ensinada na universidade n º 50 pode ser superior à da universidade n º 5".

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