Raridade on-line

O primeiro dicionário da língua portuguesa foi inteiramente digitalizado por alunos e docentes do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) e já está disponível para consulta pública e gratuita na internet.

Agência Fapesp |

Primeiro dicionário de língua portuguesa/(Reprodução/Agência Fapesp)

O trabalho de digitalização, que durou cerca de um ano e meio, contou com apoio financeiro da Biblioteca Guita e José Mindlin. Trata-se do Vocabulário portuguez e latino, de autoria do padre Raphael Bluteau (1638-1734), que nasceu em Londres e mudou-se para Portugal em 1668.

Os primeiros oito volumes que compõem o dicionário foram publicados ao longo de dez anos: volumes 1 e 2 em 1712, volumes 3 e 4 em 1713, volume 5 em 1716, volumes 6 e 7 em 1720 e o volume 8 em 1721. Juntaram-se a esses oito volumes dois suplementos publicados entre 1727 e 1728, contendo mais de 5 mil vocábulos que não constavam nas edições anteriores.

Para padronizar as relações entre as ciências humanas e as tecnologias da informática, o projeto incluiu ainda a criação de um sistema de busca, em que o usuário pode procurar uma palavra tanto com base na ortografia atual como naquela empregada no século 18.

O dicionário é composto por cerca de 43,6 mil verbetes. Um exemplo é a palavra açúcar, que na época se escrevia assucar. Além de poder encontrar esse vocábulo por meio dessas duas formas, o usuário pode buscá-lo com acento e sem acento, disse a coordenadora do projeto Dicionários no IEB, Márcia Moisés Ribeiro, à Agência FAPESP.

O sistema de busca permite ainda a navegação pelo dicionário por meio de cada letra do alfabeto, conta. O projeto Dicionários no IEB tem como objetivo disponibilizar em versão digital dicionários de difícil acesso ao grande público.

Segundo a historiadora, esse tipo de iniciativa contribui para a preservação da obra enquanto documento raro, permitindo a maior divulgação do patrimônio cultural da língua portuguesa na rede mundial de computadores.

Além de evitar o excessivo manuseio das obras raras, esse tipo de projeto permite o encurtamento das distâncias, gerando uma economia para as pesquisas com o deslocamento dos profissionais, principalmente nas ciências humanas como história, sociologia e letras", afirma.

A idéia de digitalizar o Vocabulário portuguez e latino, conta Márcia, surgiu em outro projeto de digitalização de obras raras, o Brasil Ciência, desenvolvido no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, entre 2002 e 2006, com apoio da FAPESP na modalidade Jovem Pesquisador.

A proposta do Brasil Ciência foi digitalizar obras dos séculos 17 e 18 relacionadas ao pensamento científico brasileiro. O resultado foi a elaboração de um banco de dados digital com cerca de 800 documentos e 120 livros raros na íntegra, que também estão disponíveis no site do IEB para consulta pública e gratuita, afirma a historiadora.

No âmbito do projeto Dicionários no IEB, Márcia explica que os próximos a serem trabalhados são os dicionários o Tesoro de La Lengua Guarani (1639), de Antonio Ruiz Montoya, o Diccionario Histórico e Documental (1899), de Souza Viterbo, e o Diccionario da Lingua Portuguesa (1813), de Antonio de Morais Silva.

A digitalização dessas obras deve começar em maio e deverão estar on-line em um prazo de aproximadamente seis meses, prevê.

Mais informações: www.ieb.usp.br

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