Luiz Felipe de Alencastro, professor titular da Cátedra de História do Brasil da Universidade de Paris-Sorbonne, criticou na manhã desta quinta-feira, durante audiência pública sobre cotas raciais no Supremo Tribunal Federal, quem acredita que a adoção de cotas pode gerar conflito entre a sociedade. ¿É um alarmismo despropositado. Existem milhares de cotistas nas universidades e os conflitos foram mínimos e resolvidos. Nada comparado aos trotes que acontecem todos os semestres nas faculdades.¿

Para Alencastro, que representava a Fundação Cultural Palmares no evento, adotar ações afirmativas com recorte racial não significa recompensar a população negra pelo passado de escravidão. Não se trata de uma simples lógica de quitar dívidas. Mas é a oportunidade de aperfeiçoamento da democracia no País, destacou.

Oscar Vilhena Vieira, professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Fundação Getúlio Vargas, também rejeitou a ideia de riscos de conflitos. A inércia durante todos esses anos é que foi o desastre. Hoje temos uma sociedade fragmentada e violenta. Agora, temos a chance de reconstruir nossa sociedade.

Kabengele Munanga, professor da Universidade de São Paulo (USP), africano naturalizado brasileiro há 35 anos, ressaltou que não é possível comparar a realidade brasileira com a de Ruanda ¿ os conflitos étnicos do país foram citados em discursos de palestrantes contrários às cotas. Ele lembrou que, assim como no Congo, país onde nasceu, a divisão da população em Ruanda tinha o objetivo de dividir e dominar.

No Brasil, a proposta é para integrar a população brasileira. Nós, negros, não queremos acesso a migalhas. Queremos acesso ao topo. Devemos deixar de agir com medo de errar ou acertar? Penso que não há mudanças sem erros ou sem conflitos, concluiu o pesquisador do Centro de Estudos Africanos da USP.


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