Reprodução de propaganda em prova motivou recomendação do Ministério Público

O uso de uma propaganda do governo da Bahia em prova do vestibular da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no sul do Estado, motivou uma recomendação do Ministério Público contra a “exaltação a políticas de governos” em exames públicos.

A questão polêmica apareceu na prova aberta de língua portuguesa e literatura do último vestibular da Uesc, realizado entre 16 e 18 de janeiro. Reproduzia um anúncio do governo da Bahia intitulado “Mais baianos produzindo a cultura/Mais cultura para todos os baianos”, elogioso às políticas culturais da gestão Jaques Wagner (PT).

Prova de português da Uesc usa texto de propaganda do governo
Reprodução
Prova de português da Uesc usa texto de propaganda do governo
Os candidatos foram instados a comentar o duplo sentido que a expressão “a cultura de todos os baianos” produziria na frase “A cultura que o Brasil inteiro admira, mais do que nunca, agora também é a cultura de todos os baianos.”

Para o Ministério Público da Bahia, a questão “coloca em dúvida” a impessoalidade da Consultec, empresa vencedora da licitação para elaboração da prova. A Promotoria deu à empresa dez dias para se manifestar sobre o episódio.

Em nota, a Consultec informou apenas que “irá se posicionar oportunamente sobre esse assunto”.
A reitora em exercício da Uesc, Adélia Pinheiro, informou que a elaboração das provas é de responsabilidade da Consultec, e que a universidade só conhece o teor dos exames após a aplicação. Afirmou, contudo, não ver irregularidade na utilização da peça publicitária.

“A prova de português utiliza textos publicados em diversos veículos de comunicação. [...] Tais publicações são de domínio público e foram regularmente realizadas”, disse, em nota, a reitora em exercício.

Questionado sobre o assunto em entrevista nesta terça-feira (15), o governador Jaques Wagner também negou participação do governo na elaboração da prova. Disse ainda não concordar com eventual tentativa de promoção de sua gestão na prova.

“Não sei que questão é essa [do vestibular da Uesc]. Assim como achei ridículo as três letrinhas no helicóptero do governo do Estado [sigla GJW gravada no helicóptero oficial e associada em reportagens às iniciais de Wagner], reafirmo minha postura agora”, disse o petista.

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