Quase 30% dos estudantes brasileiros já sofreram agressão na escola

Pesquisa nacional realizada com 5.168 estudantes de todo o Brasil mostra que 28% dos alunos foram vítimas de maus tratos por parte de colegas ao menos uma vez no ano de 2009. A pesquisa Bullying escolar no Brasil foi apresentada nesta quarta-feira pela organização não-governamental Plan Brasil.

Carolina Rocha, iG São Paulo |



Segundo a pesquisadora Cléo Fante, que ajudou na elaboração do estudo, quando a ocorrência de agressões persiste por mais de três vezes durante um ano letivo ela se caracteriza como bullying.

As três ocorrência de agressão aconteceram com 17% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 10% sofreram como vítimas, 10% como agressores e 3% deles atuaram de ambas as formas. "O Brasil não está muito longe dos índices internacionais. Na Europa, a média é de 20%. Nos EUA chega a 30% de incidência nas escolas", relata a pesquisadora.

O Sudeste é a região do Brasil em que há mais incidência de bullying. Segundo a pesquisa, 15,5% dos alunos foram vítimas de algum tipo de violência, verbal ou física, na escola, praticada por outros alunos, sem que a vítima tenha dado algum motivo. A segunda região onde ocorre mais bullying é o Centro-Oeste, com 11,7% de vítimas, seguida do Sul (8,4%), Norte (6,2%) e Nordeste (5,4%).

A pesquisa ficou focada na faixa etária dos estudantes do ensino fundamental II, pois, segundo a pesquisadora, esta é uma fase em que os estudantes conseguem identificar o que acontece com eles. A partir da 5º série os casos aumentam, mas sabemos que o aluno não passa por uma transformação quando muda de série. Ele provavelmente já estava passando por algum problema durante o ensino fundamental e acabou eclodindo nesta fase, analisa Cléo.

Segundo ela, a prática do bullying no ensino médio é menor que no ensino fundamental II, pois nessa fase os alunos repelem esse tipo de atitude e, aquele aluno que praticava o bullying para ser popular, passa a ser excluído.

Causas

De acordo a pesquisadora, a grande dificuldade para tratar o problema nas escolas é quanto a identificação do que é bullying. Os dados mostram que muitos alunos consideram o que estão fazendo como brincadeira. Uma parte dos entrevistados disse que nem sabe o motivo de estar maltratando um colega. O que precisa ser destacado é que bullying não é brincadeira. Brincadeira é algo em que todo mundo se diverte e não algo em que um grupo se diverte à custa de um indivíduo, explica a especialista.

A pesquisa mostra que a reação dos alunos às agressões é bastante diferente entre meninos e meninas. Os garotos, que são os que mais sofrem bullying, encaram os maus tratos como brincadeiras (71,8%). A maioria dos que sofreram a violência diz que não sentiu nada (64,9%) ou que se sentiu bem (60,3%).

Entre as meninas, a sensação depois de sofrer o bullying é de medo (57,3%), tristeza (61,8%) e mágoa (62,4%).

Cyberbullying

A violência praticada por meios digitais aparece com números significativos na pesquisa: 17% dos entrevistados disseram que já sofreram algum tipo de violência deste tipo durante 2009.

O número pode ser ainda maior, segundo explicou a pesquisadora. "Os meios digitais são muito difícieis de se controlar. Não dá para saber exatamente o que acontece, nem mesmo se o agressor é da mesma faixa etária que o agredido (neste caso, a agressão não seria caracterizada bullying). Além disso, o acesso aos meios digitais cresce todo momento e as pesquisas acabam ficando sempre defasadas", explica.

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