Curso da Fundação Getúlio Vargas exige que candidatos façam defesas verbais, usando argumentos sólidos

Dissertativas, de múltipla escolha, redação. As provas de vestibular podem ser bem difíceis, mas os formatos dele são velhos conhecidos dos vestibulandos, que, por causa disso, conseguem se preparar para a maratona de exames. O problema, entretanto, é quando as fórmulas tradicionais não são adotadas e a preparação exige esforços diferentes.

É o caso do vestibular de direito da Fundação Getúlio Vargas, em que os candidatos são submetidos a uma prova oral na segunda fase, além de ter em sua lista de leituras obrigatórias títulos estrangeiros e obras de artes plásticas.

“Nós temos o objetivo de formar profissionais capazes de enfrentar o mundo. O mercado de trabalho atualmente exige que o profissional do direito consiga fazer a leitura da realidade para usá-la em seu ofício”, explica a coordenadora de graduação do Direito da FGV, Adriana Ancona de Faria.

Além de tradicionais títulos como “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, a lista de leitura obrigatória desse vestibular conta com livros como “A morte de Ivan Ilitch”, de Leon Tolstoi, “A Queda da Casa de Usher”, de Edgar Allan Poe, e “Casa Tomada”, de Julio Cortazar.

Na primeira fase, os candidatos fazem prova com questões dissertativas de disciplinas tradicionais como geografia, inglês, língua portuguesa e história, e uma redação. Nada de física, química ou biologia. Os conhecimentos em matemática são avaliados em três questões dissertativas da prova de raciocínio, aplicada no mesmo dia em que o candidato tem que responder a questões sobre artes visuais.

“A prova do direito da GV é bem interessante por que as disciplinas são tratadas de um jeito diferente. A prova não tem um tema transversal, como os outros vestibulares têm adotado, mas o candidato tem de analisar obras de arte e dizer a que escola elas pertencem, dar o contexto histórico delas, por exemplo”, analisa o coordenador pedagógico do curso pré-vestibular CPV, Paulo Lima.

Para a coordenadora de graduação da GV, “a primeira fase é importante para avaliar se o futuro profissional terá capacidade de argumentação crítica e se domina mais de uma linguagem”.

Boa oratória
Aprovado no primeiro teste, o candidato enfrenta a temida prova oral. Nessa hora, ele precisará usar eloquência para garantir uma vaga na faculdade. “Quem está no ensino médio não é preparado para isso e a prova é um desafio”, lembra o estudante do 4º ano de direito da instituição, Diego Nabarro.

Paulo Lima percebe essa falta de preparo nos estudantes que começam o curso preparatório. “Nos primeiros debates que promovemos com eles, parece que eles estão participando daqueles programas de auditório em que os adolescentes dão opinião. Nós gravamos e mostramos para eles no que podem melhorar. A evolução é bem visível durante o ano”, diz o coordenador do cursinho.

Segundo Adriana, o objetivo do teste é avaliar se a capacidade analítica do vestibulando ultrapassa o senso comum. “Queremos saber se o profissional terá capacidade de defender uma tese, se ele sabe se colocar verbalmente. No mercado de trabalho, ele vai precisar defender o cliente oralmente”, afirma.

O exame acontece com data marcada e é feito em grupos de dez pessoas. A prova é dividida em duas partes: na primeira, os candidatos têm de escolher um entre dez temas propostos para discorrer. “Normalmente são temas atuais, baseados nos noticiários. O desafio do aluno é ter argumentos sólidos, ele não pode ficar no lugar comum”, explica Paulo Lima.

O estudante do 4º ano lembra que, em sua prova, contou com um diferencial. “Todo mundo escolheu algum tema atual e muitos usaram argumentos batidos. Como eu tenho mais intimidade com o direito romano e da Grécia antiga, preferi por esse tema e consegui argumentar bem”, conta.

A segunda parte da prova oral é feita em grupo. Os dez candidatos são divididos em dois grupos e um tema é proposto a todos. Uma das partes terá de defender a causa e a outra irá contra.

Adriana explica que essa parte do teste serve para avaliar se o vestibulando tem capacidade de trabalhar em equipe. “É importante saber se o candidato sabe escutar os outros companheiros e se eles conseguem identificar o que há de melhor em cada pessoa do grupo para que a dinâmica funcione bem”.

Apesar de não ser a nota de maior peso (20% do total), a prova oral tem bastante importância no vestibular da GV. “A nota dos 100 primeiros classificados na primeira fase é muito próxima, com frações de diferença entre um candidato e outro. Por isso a nota do teste oral pode pesar bastante no resultado final”, alerta a coordenadora.

Inscrições
As inscrições para o vestibular do direito da FGV estão abertas a partir desta segunda-feira, 12 de julho. Os candidatos têm até o dia 12 de agosto para preencher os formulários e pagar a taxa de R$ 90. Dessa data até 27 de setembro, o valor sobre para R$ 180. O cadastro deve ser feito exclusivamente pela internet .

As provas da primeira fase serão aplicadas em 1º de novembro (redação, língua portuguesa e inglês) e 2 de novembro (artes visuais e literatura, história, geografia e raciocínio lógico-matemático).

O exame oral acontece entre os dias 6 e 11 de dezembro, em horário a ser agendado pela coordenadoria do vestibular. O resultado final sai em 17 de dezembro.

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