representantes das três universidades estaduais de São Paulo reuniram-se para entender e definir o rumo que pode tomar os vestibulares destas instituições se o Projeto de Lei que prevê a unificação dos processos seletivos for aprovado. Pró-reitores de Graduação da Unesp, Unicamp e USP encontraram-se com o deputado Edson Giriboni, autor do PL que surgiu devido à preocupação com os custos que estudantes têm para fazer inscrições, locomoção para realização da prova e ganho em escala." / representantes das três universidades estaduais de São Paulo reuniram-se para entender e definir o rumo que pode tomar os vestibulares destas instituições se o Projeto de Lei que prevê a unificação dos processos seletivos for aprovado. Pró-reitores de Graduação da Unesp, Unicamp e USP encontraram-se com o deputado Edson Giriboni, autor do PL que surgiu devido à preocupação com os custos que estudantes têm para fazer inscrições, locomoção para realização da prova e ganho em escala." /

Pró-reitor da Unicamp fala sobre unificação do vestibular das universidades paulistas

Na última semana, http://educacao.ig.com.br/us/2010/04/08/universidades+estaduais+de+sp+formam+comissao+para+avaliar+unificacao+do+vestibular+9451133.htmlrepresentantes das três universidades estaduais de São Paulo reuniram-se para entender e definir o rumo que pode tomar os vestibulares destas instituições se o Projeto de Lei que prevê a unificação dos processos seletivos for aprovado. Pró-reitores de Graduação da Unesp, Unicamp e USP encontraram-se com o deputado Edson Giriboni, autor do PL que surgiu devido à preocupação com os custos que estudantes têm para fazer inscrições, locomoção para realização da prova e ganho em escala.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Responsável pelas determinações na política de seleção da Unicamp, que recebe mais de 40 mil inscrições por ano, o professor Marcelo Knobel, pró-reitor de Graduação, foi um dos que participaram da conversa com o deputado, a qual gerou um compromisso de elaboração de uma proposta por parte das universidades num prazo de 60 dias.

Knobel conversou com o iG sobre a possível unificação, as mudanças que o vestibular da instituição passará neste ano  e se a Unicamp adotaria o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), lançado pelo Ministério da Educação (MEC). Leia a entrevista:


iG : As provas das três universidades estaduais são bem diferentes, cada uma com um foco. Com a unificação, vocês já pensaram qual perfil prevaleceria?

Marcelo Knobel: Cada universidade oferece um tipo de questão e vamos passar ainda por um amplo debate para definir esse perfil do aluno que pretendemos ter. Temos abertura para um amplo diálogo com a USP e Unesp para debatermos isso. Não temos uma posição ainda de como será feito, mas a questão não é para este ano, pois o calendário já está definido e será mantido .

iG: Vocês combinaram de formular uma proposta em 60 dias sobre a unificação. Dará tempo de debater todos os detalhes?

Marcelo Knobel: Vamos ver, não sei. A comissão das universidades vai trabalhar, vai estudar todas essas questões que essa eventual unificação pode implicar nas mais diversas frentes. A aplicação da prova envolve uma quantidade de gente tão grande, questões tão delicadas, que isso deve ser estudado atentamente.

iG: Depois do que ocorreu com a prova do Enem no último ano, todos se preocupam com a questão da logística. Vocês já pensaram  qual das universidades seria a mais apta para assumir uma logística única?

Marcelo Knobel: Realmente nós não estávamos cogitando isso até o momento e ainda não fizemos nenhum estudo com relação aos custos ou à logística de uma unificação da prova.

iG: Um dos motivos alegados pelo deputado estadual para propor a unificação dos vestibulares é a diminuição dos gastos dos estudantes com o pagamento de taxas de inscrição.

Marcelo Knobel: Nós oferecemos um programa de isenção de taxa de inscrição aos estudantes que comprovam que não podem pagar (foram oferecidas 5.372 isenções no último ano e, de acordo com a Comvest, todos os solicitantes que cumpriram com os requisitos receberam o benefício).

iG: Quanto custa hoje para a Unicamp aplicar a prova do vestibular?

Marcelo Knobel: Não saberia dizer, mas dá para fazer um cálculo por cima, pois o vestibular não tem como objetivo qualquer tipo de lucro e a taxa de inscrição é o que visa pagar os custos do vestibular. Ela é cobrada pra atender a demanda da confecção da prova, da aplicação, não há nenhum excedente (os estudantes pagaram no último ano uma taxa de R$ 115) .

iG: Por que a Unicamp decidiu mudar a prova do vestibular deste ano? A mudança tem alguma relação com os custos de correção da prova?

Marcelo Knobel  - Não, de maneira alguma. A Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares) tem feito um trabalho de pesquisa sobre o próprio método que utiliza e vem buscando aprimorar a seletividade do exame. A idéia da mudança é a de tentar melhorar a prova e trazer para a instituição os melhores estudantes.

iG: A prova da Unicamp é considerada por professores um teste bem elaborado, que exige bastante conhecimento do aluno. Com as mudanças ela vai ficar menos dissertativa. Ela vai se aproximar mais da Fuvest, que é mais objetiva?

Marcelo Knobel: Não, pelo contrário. O que ocorre é que era necessário para a Unicamp fazer essas mudanças. A prova ficou com questões a mais, de multiplaescolha, mas aumentou o número de textos, vamos ter três pequenas redações, que permitirão uma coisa que buscávamos há tempos, que era testar o hábito de leitura do estudante.

A 2ª fase foi levemente alterada, mas foi para otimizar tempo do candidato e seguir os parâmetros curriculares nacionais, que agora está mais interdisciplinar, mas tenho plena certeza de que a prova continuará sendo referência no país.

iG: A proposta da unificação das provas estaduais traria a possibilidade de o vestibulando se inscrever em mais de um curso. Isso não acontece no momento. A experiência do Sisu, no qual os candidatos podiam mudar a opção de curso de acordo com suas chances interessaria a Unicamp?

Marcelo Knobel: Até poderia interessar, é uma ideia. Somos uma universidade dinâmica e temos a possibilidade de aproveitar boas ideias, mas a questão principal é que tudo tem que ser investigado, pesquisado e isso ainda não foi discutido. Temos de ficar olhando essas iniciativas e discutindo o que é melhor para a sociedade.

iG: No último ano, as estaduais paulistas não aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU), usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a distribuição de vagas. Existe alguma possibilidade da Unicamp participar da próxima edição?

Marcelo Knobel: De uma maneira nós temos participado. Usamos a nota do Enem para complementar a nossa nota da primeira fase, mas essa unificação é a mesma que estamos discutindo agora nas estaduais. Nós temos a nossa maneira de fazer a prova, nosso perfil e estamos consolidados, não tínhamos nenhum estudo sobre essa nova metodologia do MEC, então não cogitamos utilizar o Enem como forma única de ingresso. Principalmente porque temos um conhecimento acumulado, temos mais de 20 anos de vestibular e no momento não pretendemos mudar isso.

iG: O que falta na prova do Enem para selecionar o estudante que vocês buscam?

Marcelo Knobel: É difícil dizer, as provas são bem diferenciadas, cada uma tem um objetivo específico. O exame do Enem tinha outro objetivo principal e agora está sendo usado para a seleção. O que precisaria ter é uma possibilidade de seletividade melhor, certamente o nosso vestibular busca e sempre tenta se aprimorar.

Para usar a prova como fase única precisaríamos estudar a elaboração do exame, de que maneira esses conteúdos são trabalhados, como a prova é corrigida, uma série de questões práticas. O Enem tem uma outra função, não é ruim, mas não cumpre com as nossas necessidades.

iG: Pode haver mais alguma mudança ou novidade para o vestibular do final deste ano?

Marcelo Knobel: Não, esse concurso já está definido. O vestibular do próximo ano começa a ser pensado quando acaba o do ano anterior. É um processo longo, bem elaborado e que requer um tratamento sério, cuidadoso, e o processo deste ano já foi definido, com as regras e as idéias que foram divulgadas no final do ano passado.

A novidade que temos é que vamos fazer em maio um grande simulado para testar e mostrar a nova proposta do nosso vestibular. A Comvest ainda não fechou data nem a logística, mas assim que tivermos esses detalhes definidos nós divulgaremos.

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