Propostas têm de ser lógicas, diz reitor da USP sobre grevistas

João Grandino Rodas afirma que não acredita em invasão do Centro de Computação Eletrônica, mas preferiu prevenir e chamar polícia

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e da reitoria da universidade farão nova reunião nesta quarta-feira para tentar chegar a um acordo para o fim da greve, que está próxima de completar dois meses. “Esperamos chegar a um acordo na reunião. Sempre estivemos abertos para negociação, mas para chegar a um acordo ambas as partes têm de trazer propostas lógicas. Não podemos aceitar ameaças. Dizer ‘ou aceita o que eu quero ou vamos quebrar tudo’ não é coisa de gente civilizada”, diz o reitor da USP, João Grandino Rodas em entrevista ao portal iG .

A proposta oferecida pela universidade é o pagamento dos dias parados (que foram descontados dos salários de mais de 1,6 mil funcionários grevistas) e, num prazo de 48 horas após o fim da greve, o início da análise do pedido de promoção de todos os 15 mil servidores para uma faixa acima, o que renderia a eles um aumento de 5% nos holerites.

Levada para a reunião na última semana, a proposta foi recusada pelos grevistas, mas volta à mesa de negociação no encontro desta quarta. E devido à proximidade do dia 3 de julho, fim do período em que servidores públicos podem receber aumento ou promoção, de acordo com a lei eleitoral, esta deve ser a reunião mais importante entre as inúmeras já realizadas entre reitoria e sindicato.

Depois de invadir a reitoria, fazer piquetes em frente às três creches que atendem os filhos dos servidores da universidade, paralisar o bandejão, entre outros prédios da Cidade Universitária, o Sintusp diz que se não houver acordo o foco dos grevistas será o Centro de Computação Eletrônica (CCE), prédio que concentra todo o processamento de dados da USP.

Carolina Rocha, iG São Paulo
Viaturas da Força Tática, no estacionamento do CCE, no começo da tarde de segunda-feira
O aviso foi levado a sério pela reitoria, que na segunda-feira registrou boletim de ocorrência e chamou a Polícia Militar para fazer uma verificação preventiva do que tem no prédio . “Ninguém acredita que as ações poderão chegar a uma invasão ou coisa pior do CCE, mas o papel do administrador público é prevenir. Pelo o que eles demonstraram quando invadiram a reitoria com picaretas, machados, eles são capazes de coisas incríveis.”

Negociação

Os funcionários da USP, Unesp e Unicamp iniciaram greve desde o 5 de maio pedindo a isonomia entre os salários deles com o dos professores. Segundo os manifestantes, a isonomia foi quebrada quando o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) concedeu aos professores das instituições um aumento de 6%, além de bonificação de R$ 500, o qual não foi estendido aos demais funcionários das universidades.

No início das negociações, os funcionários pediam 16% de aumento, além de R$ 200 nos salários. Depois de enfrentar resistência dos reitores para retomar as negociações, reduziram para 6%.

Em 18 de junho, após a resistência nas negociações, os servidores da USP passaram a pedir a promoção dos funcionários da instituição para uma faixa superior, o que garantiria um aumento salarial de 5%, além do pagamento dos dias parados.

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