BRASÍLIA - Depois de participar de um cursinho pré-vestibular no Instituto Cultural Steve Biko ¿ que em 1999 recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça ¿ Sheila Regina Pereira entrou na Universidade Federal da Bahia para o curso de estatística.

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Sheila diz que na universidade percebeu que os jovens negros como ela estavam presentes em cursos de menor prestígio e status social. A partir daí, ela resolveu voltar ao instituto que a ajudou a ingressar no ensino superior para dar sua contribuição e ajudar a mudar essa realidade.

No instituto eu aprendi que o seu crescimento pessoal só vem quando você ajuda os outros a crescerem também, explica.

Foi então que ela passou a fazer parte do projeto Oguntec, que acompanha 35 estudantes de escolas públicas a partir do momento em que eles entram no ensino médio até o vestibular.

A pesquisa apresentada por Sheila sobre o Oguntec foi a vencedora da categoria Graduado do 23º Prêmio Jovem Cientista, divulgado na última quarta-feira pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq).

Como coordenadora pedagógica do projeto, Sheila conta que, além das disciplinas escolares cobradas no vestibular, os adolescentes de 16 a 21 anos têm aulas sobre consciência negra e educação científica a fim de despertar o interesse pela ciência e pelos cursos ligados à tecnologia, ciências da saúde.


No ano passado, terminamos o ano com 25 estudantes, porque muitos foram obrigados a deixar o projeto ao longo do tempo. Mas todos os que permaneceram passaram em vestibulares em universidades particulares. O nosso objetivo agora é fazer com que eles entrem nas universidades públicas. Três deles conseguiram, conta.

Segundo ela, a maior dificuldade é suprir o déficit que os alunos trazem do ensino fundamental.

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