Programa na Bahia une alfabetização ao cotidiano de pescadores

BRASÍLIA - A mobilização de sindicatos, cooperativas e associações de pescadores é a estratégia do programa Pescando Letras que, em dois anos, alfabetizou 2 mil pescadores na Bahia. O programa é uma parceria do governo do Estado com entidades e organizações da sociedade civil. A estratégia é usar o Registro Geral da Pesca, conhecido como carteirinha do pescador, para localizar os trabalhadores e atraí-los para a sala de aula.

Agência Brasil |

A temática do projeto é voltada ao cotidiano dos pescadores. O universo da pesca é muito rico. A gente faz um recorte trabalhando muito com os direitos e deveres do pescador, explicando o que é o período do defeso [época em que não se pesca para que os peixes possam se reproduzir], a questão da preservação do meio ambiente, do resgate do saber popular, explica Rosângela Cerqueira, uma das pedagogas do projeto.

O curso tem dez horas semanais e dura entre seis e oito meses. Atualmente, há 400 turmas que atendem cerca de 6 mil pescadores distribuídos em 27 municípios. As aulas são realizadas em igrejas, casas e sindicatos, dependendo da cidade.

Uma das preocupações do projeto é levar em consideração as possibilidades dos pescadores, de acordo com a carga horária de trabalho.

Dependendo da comunidade se respeita muito o período do defeso. É o tempo em que eles estão mais em terra e é nesse momento em que as aulas são mais fortemente aplicadas, diz Rosângela.

A iniciativa surgiu de uma proposta de 2003 do Ministério da Educação, que foi implementada na Bahia em 2005. O programa começou no mesmo ano, como parceria entre a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) no estado e o Serviço Social da Indústria (Sesi).

Desde então novos parceiros entraram no projeto, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Banco do Brasil. Em 2008 o governo do estado também se juntou ao programa, que agora faz parte do Todos pela Alfabetização no Estado.

Para eles [pescadores], ir para a alfabetização é um ganho muito grande, eles se sentem participantes da sociedade. Ao escrever o primeiro nome eles se sentem cidadãos, aponta Ivana Barreto da Silva, uma das pedagogas do programa.

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