RIO DE JANEIRO - Professores brasileiros de física do ensino médio de escolas e centros tecnológicos federais viajam no próximo sábado para a Suíça, onde participarão, em Genebra, de curso promovido pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês).

A entidade desenvolve o mais famoso experimento científico da atualidade, que é o grande acelerador de partículas, conhecido como LHC (Large Hadrons Collider).

Esta é a primeira vez que o Brasil participa da iniciativa do Cern, que realiza cursos semelhantes em vários países europeus, nos idiomas específicos de cada nação. Serão 11 professores brasileiros que integrarão a delegação de Portugal, uma vez que o curso é ministrado no idioma português.

É um programa para fazer com que professores do segundo grau tomem conhecimento de como a ciência no mundo opera. E é uma maneira de fazer com que eles levem isso para a sala de aula. Essa é a grande virtude do programa, disse nesta quinta-feira Ronald Shellard, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) e pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Os professores brasileiros vão conhecer os laboratórios e os projetos científicos do Cern, considerado o mais respeitado centro de pesquisas em física de todo o mundo. A expectativa, disse Shellard, é que o efeito multiplicador da visita seja relevante.

Porque cada professor tem classes especiais onde os alunos podem interagir com alunos do resto do mundo. Vamos ver como funciona com o nosso pessoal. Eu tenho esperança, porque colocar um professor dentro do laboratório muda a cabeça dele.

Nessa primeira versão do programa no Brasil, a SBF estabeleceu como critério a participação exclusiva de professores de física de instituições federais que apresentassem alguma produção na área de ensino, tendo sido observados também critérios como as atividades da escola e sua distribuição geográfica. O processo de seleção teve 43 inscrições. No final, foram selecionados 11 professores.

Segundo Shellard, o objetivo é estender o processo seletivo para professores de todo o país de escolas públicas e privadas, podendo chegar a 15 vagas nas próximas versões.

Hoje, patrocinam o projeto a Secretaria de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o CBPF (instituto de pesquisa vinculado ao MCT e o Cern. De acordo com Shellard, a organização buscará também a parceria do Ministério da Educação, para que integre o rol de patrocinadores.

Os professores brasileiros que partem no sábado ficarão durante uma semana na Suíça. Eles voltam ao Brasil no dia 5 de setembro. Será elaborado um relatório sobre sua participação no programa.

O professor Gilberto Morel de Paula e Souza, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (Cefetrn), foi um dos escolhidos para a visita científica à Suíça. Fiquei muito surpreso e agradecido, porque é uma oportunidade que poucas pessoas têm de fazer estágio nesse centro de pesquisas, principalmente, no acelerador de partículas.

Ter um professor do Cefetrn selecionado para o programa do Cern, na opinião de Gilberto Souza, coloca a gente do Nordeste em um ambiente científico muito mais elevado e valoriza o nosso trabalho. Para mim, foi uma satisfação imensa ter sido selecionado.

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