Profissão: medicina

Está pensando em cursar Medicina? Veja a entrevista com doutor José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira, e tire suas dúvidas sobre a profissão

Marina Morena Costa, repórter do Último Segundo |

O melhor de ser médico:
O melhor de ser médico é ter a oportunidade de ser útil ao próximo diariamente. É uma profissão muito bonita, quem abraça se recusa a mudar de atuação depois.

O pior:
A desvalorização profissional é a pior parte. Atualmente, a medicina enfrenta uma crise no País, à medida que passa pela perda do padrão de graduação de seus profissionais, pela falta de oportunidade de qualificação especializada, ausência de um plano de carreira (tanto na saúde pública como privada), falta de estrutura nos hospitais e a constante redução dos custos, inclusive dos salários.

Dia a dia de um médico:
É bem provável que o recém-formado acumule até três empregos: um na saúde pública, outro na privada e mais as atividades informais (trabalho terceirizado em plantões, por exemplo). Clinicar em consultório próprio é coisa para poucos e requer 5 a 6 anos de experiência profissional no mínimo.

Quanto tempo leva para uma pessoa se tornar sênior na área?
Depende muito da especialidade do médico. Em algumas é possível atingir o patamar de desenvolvimento profissional mais rapidamente, como na medicina intensiva e na anestesia (de 10 a 12 anos). Em outras especialidades, como cirurgia e cardiologia, pode demorar entre 15 a 20 anos para atingir este patamar. Infelizmente, a possibilidade de sucesso profissional é bastante pequena.

Quais são as melhores faculdades, em sua opinião?
Temos entre 15 a 20 boas faculdades de medicina no país, como a Faculdade de Medicina da USP (São Paulo e Ribeirão Preto), Faculdade Paulista de Medicina (Unifesp), Unicamp, UNESP (Botucatu), Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, EFPR, UFSC, UFRS, UFRJ, UFMG e UFBA, entre outras. O problema é que há mais de 175 faculdades de medicina no Brasil e 100 delas são de péssima qualidade, não têm a menor condição de formar um médico. Por isso o vestibulando deve prestar muita atenção na hora de escolher uma.

Quais cursos complementares o senhor recomenda aos futuros médicos?
Não existe prática de medicina sem residência médica, que é a melhor especialização que o estudante pode ter. Deve-se fazer residência em uma boa faculdade, e sem pressa. Muitas vezes o profissional opta por uma alternativa mais simples, mas isso pode levar a erros gravíssimos no futuro. Não cogite exercer a profissão sem passar pela residência, que deve ser feita numa faculdade de bom nível.

Áreas da medicina em ascensão:  
Se o governo investisse na Saúde pública e desse condições de trabalho para os médicos nas regiões mais precárias do país, de baixa renda, onde a demanda por médicos é grande, precisaríamos de profissionais especializados em clínica médica e pediatria. Mas as áreas que melhor remuneram hoje são medicina intensiva e anestesia.

Vai encarar?
Escolher esta carreira é um ato de coragem e um compromisso eterno com a determinação. Mesmo sendo uma das profissões mais antigas que se tem notícia, medicina é ainda a carreira mais procurada por vestibulandos por todo o Brasil. A dica àqueles que estão dispostos a seguir a profissão é estabelecer um esquema rígido de estudos antes mesmo de iniciar o ensino médio.

A Medicina divide-se em dois segmentos. Um deles é a área científica, do conhecimento. O outro é a prática, momento no qual o médico aplica tudo o que aprendendeu durante a faculdade e a especialização.

É preciso paciência:
Para formar-se médico, é preciso cursar medicina em alguma faculdade, em período integral, durante seis anos. Após este período o formando estará habilitado a fazer uma especialização, sendo a mais importante a residência médica, com duração de ao menos dois anos. Para ingressar em um programa de residência médica é necessário realizar um concurso de âmbito nacional.

Devido ao grande número de formandos em medicina no Brasil, o concurso para a residência é bastante exigente e considerado muito difícil pela maioria. Por este motivo, muitos médicos optam por fazer suas especializações em cursos normais de pós-graduação, que muitas vezes não apresentam o mesmo nível de qualidade exigido para um programa de Residência. Exemplos de especializações: pediatria, cardiologia, dermatologia, ginecologia, urologia, neurologia e etc.

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