Profissão: especialista em Quiropraxia

As dores nas costas e articulações, sintomas da vida moderna provocados pela falta de exercícios regulares, stress e rotina cada vez mais presa a uma cadeira de escritório, desencadearam, nos últimos anos, um aumento na procura por tratamentos físicos. É justamente sobre este campo que atua o especialista em quiropraxia.

Luiz Henrique Barbosa |

Resumidamente, a quiropraxia é uma técnica que utiliza a manipulação das articulações e coluna vertebral para corrigir e prevenir distúrbios do sistema neuro-músculo-esquelético, como dores nas costas, hérnia de disco e até dores de cabeça.

No Brasil, a técnica é considerada uma especialidade da fisioterapia e não é uma profissão regulamentada, ao contrário de diversos outros países, como EUA e Canadá. Ainda assim, existem cursos livres e dois cursos universitários de quiropraxia reconhecidos pelo MEC. Esses profissionais, no entanto, não estão sob a supervisão de um conselho, como os graduados em fisioterapia estão.

Atualmente, há no Congresso um projeto de regulamentação da atividade, apoiado pela Associação Brasileira de Quiropraxia, ao passo que a Associação Brasileira de Fisioterapeutas Quiropraxistas denuncia um lobby internacional de arrecadação de fundos para forçar a aprovação. No meio desta guerra de bastidores, conheça um pouco mais sobre o que faz um quiropraxista.

Dra. Inês Yoshie Nakashima é presidente da Associação Brasileira de Fisioterapeutas Quiropraxistas.

As pessoas sabem quando procurar um massagista, um quiropraxista ou um tratamento de RPG (Re-educação Postural Global)?
A população não tem essa consciência. O ideal é que procurem um fisioterapeuta e ele deve ter o conhecimento para indicar a técnica que o paciente deve se submeter.

Apenas formados em fisioterapia e com especialização podem exercer o ofício de quiropraxistas? E quem se formou em cursos de graduação em quiropraxia?
Não existe uma proibição. Qualquer pessoa que se formou nesses cursos de graduação em quiropraxia pode aplicar (a técnica). Mas a profissão não está regulamentada, ela é no máximo uma ocupação. O único fato legal é que a quiropraxia é uma especialidade da fisioterapia, de acordo com o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito).

Dessa forma, o grande risco é que os profissionais formados nesses cursos de graduação e livres não estão sob a fiscalização de um conselho profissional. Por isso, é muito mais seguro ser tratado pelo fisioterapeuta especializado em quiropraxia.

Que cursos existem para a especialização?
Há os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu, com carga mínima de 360 horas (cerca de um ano e meio) e cursos de especialização autorizados pelo Coffito.

Existe mercado de trabalho?
O fisioterapeuta quiropraxista tem um destaque em relação aos outros, porque os resultados em casos de dor acabam sendo mais rápidos. Há campo de trabalho garantido.

Existe algum campo da quiropraxia que esteja em ascensão?
A quiropraxia aplicada ao esporte tem crescido, sobretudo em atletas de alto nível, como alguns nadadores. Algumas seleções utilizam os serviços de especialistas na área.

Dia a dia de um quiropraxista
O atendimento é personalizado. O fisioterapeuta faz a avaliação, colhe as informações, pode solicitar exames e depois faz os ajustes, usando as mãos para liberar as articulações com desequilíbrio de movimento.

O melhor da profissão:
Ter resultados satisfatórios de forma rápida

O pior:
O desconhecimento da população e os riscos da quiropraxia que, quando mal-aplicada, pode causar até o óbito.

Vai encarar?
Há ainda muita confusão e desconhecimento sobre a área. Os próprios profissionais não se entendem sobre a regulamentação da quiropraxia. A única certeza é que o uso das técnicas quiropraxistas vem crescendo no mundo todo, sobretudo nos EUA, que agregam mais da metade dos profissionais.

Para se formar:
O estudante pode optar por uma graduação em fisioterapia, que dura de quatro a quatro anos e meio, e mais uma especialização em quiropraxia. Há ainda dois cursos universitários, a Anhembi Morumbi, em São Paulo, e o Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo (RS). Neste último caso, os profissionais não dispõem de um conselho supervisor, o que aumenta a insegurança dos pacientes.

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