Profissão: enfermeira parturiente

Para quem se interessa pela área de saúde e pretende atuar na área de partos, os cursos de especialização em enfermagem obstétrica são uma boa pedida. Direcionados aos profissionais de graduação em enfermagem, a pós-graduação do tipo lato sensu é reconhecida pelo MEC e capacita enfermeiras a acompanhar gestantes durante a gravidez, parto e pós-parto, dando assistência necessária à parturiente e sua família. Lembrando que, como enfermeira obstetra, suas limitações são a partos normais desde que não ofereçam risco ou que sejam de risco muito baixo à gestante. Partos que apresentem algum tipo de complicação ficam de responsabilidade exclusiva do médico.

Paula Menezes |


A especialidade tem o objetivo de tornar o parto mais "humanizado", respeitando a fisiologia e o corpo da mulher. Segundo a obstetriz Márcia Koiffman, em partos naturais humanizados tem-se a ideia de que os princípios são da mulher, então ela decide como quer ter o bebê, a posição e local, fazendo com que esse momento seja o mais natural possível".

Este pensamento está fazendo com que muitas mulheres, hoje, prefiram realizar o trabalho de parto em suas próprias casas, acompanhadas das obstetrizes, doulas (auxiliares), e outros profissionais que se fizerem necessário. Márcia observa que, quando há um trabalho de parto ocorrendo em uma residência, sempre há um médico na "retaguarda". A obstetriz acompanha a parturiente e, no caso de perceber antecipadamente uma complicação, a mulher é removida a um hospital.

Polêmica

A profissão é envolvida em polêmicas. Para a enfermeira obstétrica e, atualmente, doutoranda do Departamento de Anatomia da USP, Maria Alicia Carrillo Sepúlveda, "isso ocorre por se ter referência às antigas parteiras, pessoas sem nenhum conhecimento científico ou sem nenhum tipo de formação profissional para realizar partos normais". Maria Alicia concorda também que parte dessa polêmica se dá ao fato de partos serem feitos em residência, "além dos interesses econômicos e profissionais envolvidos".

Casas de Parto

As Casas de Parto têm também uma iniciativa à assistência humanizada do parto normal. Maria Alicia relata que essas casas são equipadas para dar assistência integral à gestante desde o pré-natal até a hora do parto, possuindo desde equipamentos até equipe capacitada para tais atividades. Também acompanhado de um médico, este de presença obrigatória no local, pronto para um atendimento de emergência.

Márcia complementa que, apesar de ser público, o atendimento é bastante diferenciado. Exemplificando com a Casa de Parto de Sapopemba, "as salas de parto têm banheira, hidromassagem, chuveiro, é um atendimento super individualizado, com toda estrutura para um parto humanizado na água e no chuveiro".

Nem tudo são flores

Para a ginecologista obstetra Sonia Aparecida de Oliveira, partos feitos em casa são bastante perigosos. Explica sua posição citando os Estados Unidos, onde grande parte dos partos é feitos em casa, mas em condições bastante diferenciadas do Brasil. Nos EUA há hospitais próximos, a alguns quarteirões das casas, nos quais, em uma complicação, a paciente tem como chegar a tempo no hospital. Já no Brasil, atrasos como trânsito, burocracia por parte dos convênios e diversos outros empecilhos acabam por complicar a chegada da parturiente ao hospital, não havendo chances de um atendimento de emergência".

Mas em um ponto, todas entram em acordo. Quando se trata de partos normais no Brasil, a obstetriz é a profissional mais apta a realizar. "Obstetriz com respaldo médico aumenta as chances de haver um parto normal, pois elas têm mais paciência em acompanhar a paciente. Um médico tem muitos horários pra cirurgias e outros compromissos. Então, com uma obstetriz, as chances de parto normal aumentam". Fixa ainda que é a favor da profissão, desde que seja realizada dentro de um centro obstétrico, com médicos obstetras presentes.

Saiba mais:

- Parto Humanizado
- Prima Luz


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