Quem nunca assistiu a filmes como ¿Indiana Jones¿ ou ¿A Múmia¿ e não se encantou com as escavações do Egito? Apesar de toda a ficção dos filmes, os verdadeiros estudiosos do tema, chamados egiptólogos, estão se aprofundando cada vez mais nos mistérios dessa cultura.

Foi através das expedições de Napoleão Bonaparte que se deu início à egiptologia, estudo específico sobre o Egito faraônico, com a decifração dos hieróglifos (escrita egípcia). A partir de então, muitos pesquisadores passaram a estudar a história e cultura deste povo que cultuava a natureza, criadores de estudos matemáticos, da escrita com pena e papiro, entre outros assuntos científicos utilizados como base até os dias de hoje.

Para quem pretende se especializar na área, é necessário saber que a profissão requer muita dedicação do profissional, além de bons conhecimentos em inglês e francês, línguas na qual a maioria das obras científicas é editada. 

De acordo com Maurício Schneider, egiptólogo, os profissionais que atuam diretamente no Egito seguem uma rotina diária que exige paciência, cuidado e dedicação. O trabalho de escavações segue do nascer do sol ao meio da tarde, respeitando certos costumes dos locais. Cada etapa do trabalho requer habilidades que tornam a expedição um corpo interdisciplinar de profissionais: há o arqueólogo chefe, auxiliado por restauradores, ceramistas, topógrafos, desenhistas. Já para os que trabalham em museus, sua rotina é o contato diário com artefatos, estudando e preparando exposição, além de dar aulas sobre o tema. Uma das opções não exclui necessariamente as outras, diz Schneider.

Como se tornar um profissional

A egiptologia não é uma profissão muito comum no Brasil. Lilian Laky, historiadora pela USP, diz conhecer diversos profissionais que tentaram se especializar na área, mas desistiram por falta de cursos específicos e poucos incentivos na área.

Para se tornar um especialista seria necessário fazer um curso de graduação em arqueologia e buscar especialização fora do Brasil, como na França, diz Wallace Gomes, egiptólogo e artista plástico. Gomes comenta também que no Brasil há diversos cursos avulsos sobre o tema, como palestras e workshops, alguns palestrados por ele mesmo.

Polêmica

Marcos de Carvalho Geribello, egiptólogo e historiador, acredita não existir egiptologia como profissão no Brasil. Para ser um profissional de determinada área você precisa viver financeiramente dessa profissão. O que não ocorre, pois não dá pra ser apenas egiptólogo aqui. É necessário ter outras atividades.

Schneider, que já acompanhou pesquisas junto a uma equipe francesa no Egito entre 1995-1997, sob a direção do Prof. Alain Zivie e, posteriormente, entre 2000-2003, explorou túmulos do século VI a.C., acredita que essa falta de incentivo no Brasil ocorre devido a uma midialização do Egito como uma terra mística. O alegado poder das pirâmides e as múmias dos filmes de Hollywood contribuem para se imaginar os egiptólogos como interessados em deuses e esoterismo, como ávidos caçadores de tesouros. Comenta que isso atrapalha e até, em algumas situações, desacredita os que se dedicam ao estudo histórico da civilização dos faraós. A falta de incentivo desanima o interesse mais aprofundado, que se traduz na inexistência de cursos na área.

Novo cenário

Atualmente a situação parece estar mudando. Exposições ocorridas em 2001 na FAAP ¿ A Arte Egípcia no Tempo dos Faraós", do acervo de Louvre ¿ e no Masp ¿ "Egito Faraônico, Terra dos Deuses", trouxeram uma quantidade de publico inesperada, chegando a vir pessoas de outros países, o que impulsionou para o surgimento de traduções de obras sérias e mais debates sobre o assunto.

Ressalva-se que o Egito não é uma ciência concreta. Livros escritos há 20 anos podem hoje conter informações errôneas já que uma descoberta nova pode acabar derrubando teorias antigas. Gomes afirma que 80% do Egito continua sepultado, aguardando para ser descoberto.

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