Profissão: antropologia forense

Apesar de ninguém gostar da ideia de precisar de seus serviços, estes profissionais são mais do que necessários no dia-a-dia da sociedade para identificarem corpos ou causa da morte nos Institutos Médicos Legais de todo o País.

Milena Prado Neves |

Ninguém gosta de pensar na morte, mas é justamente quando ela chega que faz-se necessário os serviços de um profissional da área de antropologia forense: para desvendar a causa da morte, ou mesmo a identidade do corpo - nos casos em que ocorre decomposição ou carbonização.

Este trabalho é desenvolvido por equipes multidisciplinares dos Institutos Médicos Legais (IMLs) de cada estado brasileiro, formadas por farmacêuticos, biólogos, biomédicos, odontologistas e médicos.

Cada caso é um caso

Dos corpos que chegam aos IMLs de todo o Brasil, somente aqueles que não podem ser reconhecidos, nem mesmo pelas impressões digitais, e necessitam de análises ósseas ou de DNA, são encaminhados às equipes de antropologia forense, ou de identificação médico-legal, como atualmente são chamadas. Estas equipes multidisciplinares são formadas por médicos-legistas, odonto-legistas, especialistas em DNA, dentre outros.

Os profissionais chegam ao IML apenas com um diploma na mão, e têm um longo caminho para se tornarem profissionais do ramo. Todos chegam a esta equipe através de concursos públicos, em que são selecionados os melhores para passar por um treinamento de quase um ano na Polícia Científica de seu Estado.

A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferecem cursos de pós-graduação lato senso na área de medicina legal, que pode ser feito por qualquer formando na área de medicina, farmácia, biologia ou biomedicina, que queira trabalhar com análise criminalística ou mesmo na área acadêmica, explica Eduardo Menezes Gomes, odonto-legista da equipe do IML de São Paulo há 17 anos e professor universitário da área de odontologia legal.

Identificando um profissional

Além de um diploma em uma das faculdades já ditas, o candidato a uma vaga na equipe de antropologia forense do IML precisa ser curioso, observador e, claro, gostar do que faz! Tive aulas sobre o tema na universidade, e foi daí que nasceu minha curiosidade. Agora formado, fiz um curso a respeito no IML de São Paulo e vou esperar abrir concurso nesta área para me candidatar a uma vaga, diz Felipe Cavalcanti, 27 anos, atualmente estudante do curso de especialização em ortopedia.

Para os que se atraem pela ideia de carreira nesta área, a boa notícia é que há uma carência muito grande destes profissionais no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, temos dois médicos legistas e quatro odontologistas, então há uma tendência de aumento da procura e contratação de profissionais Brasil afora, comenta o odonto-legista Eduardo. O salário líquido inicial da categoria fica em torno de R$ 3500,00. Agora é só ficar atento aos editais de concursos públicos de todo o País, se inscrever à vaga e ter muito sangue frio!

Leia mais sobre: Antropologia forense

    Leia tudo sobre: antropologia forenseprofissão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG