Profissão: animador

Procurando Nemo, Wall-E, Kung Fu Panda e uma infinidade incrível de outros sucessos do cinema foram feitos por eles, os animadores.

Aline Vieira |

A profissão é antiga no Brasil - o primeiro filme produzido no país foi Kaiser", de Álvaro Marins, em 1917-, mas a classe dos animadores só ganhou mais adeptos nos últimos anos graças à popularização do computador e da internet.

Segundo Jonathan Rodrigues, que anima por hobbie há seis anos, animar é "dar vida a uma coisa a primeira vista inanimada. É ter liberdade em uma concepção visual e exaltar movimento nela".

Para fazer animação, o profissional tem que ser paciente, criativo e talentoso, já que a dedicação e as horas levadas em frente ao computador é que vão fazer a diferença no resultado final. Cada projeto requer um tempo diferente por parte do animador. Uma animação simples de uns 20 segundos, por exemplo, demora cerca de um mês pra ficar pronta, conta ele.

Por onde começar?

"Animação não começa aos 17 anos, quando você sai da escola e é obrigado a escolher uma profissão", diz Leandro Soares, que trabalha com animação publicitária desde 2003. O interesse tem que surgir muito antes, completa.

O caminho para a carreira na animação geralmente começa cedo. "Passei a levar as coisas mais a sério com meus 14 anos, mas quanto antes começar melhor é", diz Jonathan.

Assim como boa parte dos animadores da comunidade Filmes de Animação no Orkut, Jonathan se interessou pela técnica ainda na infância por causa dos desenhos animados. "Eu via aquilo na TV, mas não sabia por onde começar, que programas usar e nem como utilizá-los. Ganhei meu primeiro computador aos 12 e foi aí que dei início a tudo", conta ele.

Segundo o animador, o iniciante deve começar se aprofundando em programas básicos, como o Adobe Flash e o Photoshop. Além disso, visitas e participação constante em fóruns de discussão na internet ajudam na troca de dicas com profissionais mais experientes. Depois de fuçar bastante, o ideal é procurar um curso especializado na área, completa Leandro Soares.

O mercado de trabalho

No mundo concorrido da animação, criatividade e talento são o que mais ajudam na colocação no mercado. Por esses motivos é que o carioca Ennio Torresan, que trabalha há 20 anos na área, é reconhecido em todo os Estados Unidos e Europa. Foi ele    quem coordenou a série de animações "Madagascar", indicada ao Oscar 2009.

Apesar do crescimento constante da "nova profissão" por todo o mundo, no Brasil, a animação ainda não é valorizada como deveria ser. Segundo Jonathan, o "espaço para animadores trabalharem é restrito e mal remunerado". O animador acredita que a profissão ainda é muito irregular. "Quanto mais raro o trabalho, teoricamente mais bem remunerado ele é, mas isso não acontece na animação", diz.

Para Leandro, o trabalho na área de animação no Brasil ainda não é reconhecido com seriedade porque boa parte das empresas que contratam esse tipo de serviço no país veem a técnica como hobby e não como uma profissão. "É normal contratarem free-lancer de animação sem nenhuma formação na área, pagarem uma merreca e ainda exigirem trabalho perfeito em um espaço mínimo de tempo. E o pior é que tem gente que aceita. Por isso que nada muda", reclama.

O animador pode atuar em diferentes segmentos, mas segundo Jonathan e Leandro, a arte é mais voltada para o mercado publicitário no Brasil.

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