Professores entram em confronto com policiais militares perto da sede do governo de SP

Professores em greve e policiais militares entraram em confronto na tarde desta sexta-feira na avenida Giovanni Gronchi quando grevistas tentaram seguir em passeata até a sede do governo do Estado de São Paulo. Segundo a PM, nove manifestantes e sete policiais foram feridos e encaminhados para hospitais da região.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

O confronto começou porque manifestantes tentaram furar um bloqueio feito pela polícia nas ruas próximas ao Palácio dos Bandeirantes. A PM havia alertado os organizadores do protesto que manifestações em frente à sede do governo são proibidas.

Futura Press
Manifestantes e policiais entram em confronto no bairro do Morumbi, em SP

Reunidos na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio do Morumbi, grevistas quiseram acompanhar uma comissão que seguiu ao Palácio a convite da Secretaria de Educação. Eles foram impedidos pela polícia logo no primeiro quarteirão da caminhada.

O cruzamento da rua Wagih Assad com a avenida Giovanni Gronchi virou uma verdadeira praça de guerra. Alguns manifestantes quebraram um vaso da rua e jogaram as pedras nos policias, que por sua vez revidaram com balas de borracha e gás de efeito moral. Um policial chegou também a jogar pedras.

AE
Policial fica ferida após confronto com grevistas

Policial fica ferida após confronto com grevistas

Muitos professores dispersaram e se abrigaram em outras ruas. Diversas pessoas passaram mal por causa dos gases e bombas utilizados pela Polícia.

A PM alega que os manifestantes que tentavam furar o bloqueio começaram a atirar "bombinhas" e rojões, além de paus e pedras. Com isso, a polícia revidou com balas de borracha.

AE

Professores realizam manifestação em São Paulo

Greve continua

Por volta das 16h, os professores da rede estadual de ensino, em greve há 19 dias, votaram por unanimidade pela continuação da paralisação durante assembleia realizada na Praça Roberto Gomes Pedrosa em frente ao estádio do Morumbi, na zona sul da capital.

Segundo a Apeoesp, havia 20 mil pessoas no local. A Polícia Militar, no entando, estimou 3 mil manifestantes.

Encontro

O secretário-adjunto de Educação, Guilherme Bueno, reuniu-se nesta sexta-feira com a comissão de grevistas. A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, contou que Bueno pediu aos professores que encerrem a greve para que possa ser iniciada a negociação. "Não vamos parar a greve", afirmou ao iG.

Em nota enviada à imprensa, a Secretaria de Educação informou que "só aceita conversar sobre salários após o fim da greve". Também afirmou que "não vai mudar nenhum dos programas que são combatidos pelo sindicato, como o Programa de Valorização pelo Mérito, que dá aumento de 25% de acordo com o resultado de uma prova, a lei que acabou com a possibilidade de faltar dia sim, dia não; e a criação da Escola Paulista de Professores, com a abertura de concurso para dez mil novas vagas".

Apeoesp

Em entrevista concedida ao iG antes do confronto, Maria Izabel Noronha afirmou que a ausência do governador José Serra (PSDB), que participava de um evento em Presidente Prudente, no interior do Estado, não importava e que os manifestantes iriam até a sede do governo. Ele estando ou não, nós vamos para lá. Ele (o governador) não está resolvendo nada, presente ou não. Terá que aturar uma grande manifestação no quintal de sua casa, declarou a presidente da Apeoesp.

Quanto aos episódios de violência ocorridos durante a semana entre professores grevistas e policiais , Maria Izabel declarou que a categoria não é violenta: Estamos simplesmente exercendo nosso direito de cidadania. Estamos conduzindo a manifestação com tranquilidade e responsabilidade. Quem está armado é a PM. Nós não temos arma nenhuma.

Na última terça-feira os professores grevistas protocolaram um pedido para uma reunião com o secretário estadual de educação, Paulo Renato de Souza. Maria Izabel afirmou não ter recebido nenhuma resposta oficial. Soube pela imprensa que a Secretaria não vai negociar enquanto houver grave, disse.

Reivindicações

Os professores da rede estadual estão reivindicando, entre outros pontos, um aumento salarial de 34,3% e a incorporação das gratificações ao salário base, criação de um plano de carreira e modificação no processo de contratação de professores eventuais.

O governo do Estado diz que não vai negociar com os grevistas até que a greve seja encerrada. Segundo comunicados emitidos pela Secretaria de Ensino, entre 2005 e 2009, a folha de pagamentos da secretaria teria crescido 33%, indo de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões - mas não especifica se neste valor estão inclusos algum aumento no quadro de professores ou se tudo foi destinado aos holerites do mesmo número de funcionários.

Sobre a incorporação das gratificações, a secretaria alega que no início do mês foi agregada a Gratificação por Atividade de Magistério (GAM) ao salário. A gratificação será incorporada em duas parcelas: a primeira, com percentual de 10%, em março deste ano; e a segunda, com percentual de 5%, prevista para março de 2011.

O sindicato reclama que esta gratificação não compensa as perdas salariais e diz que não há nenhuma perspectiva de aumento salarial até março do próximo ano para a categoria.

O sindicato pede também a revogação da lei 1041, que limita o número de faltas médicas a seis por ano. O governo diz que a lei diminuiu em 60% o número de faltas na rede estadual.

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