Professores do Rio mantém greve mesmo sendo recebidos por secretário

Categoria estuda possibilidade de ficar acampada em frente de prédio da Secretaria de Educação

iG Rio de Janeiro |

Pablo Jacob/Agência O Globo
Os professores invadiram o prédio da Secretaria de Educação no início da tarde
Os professores da rede estadual do Rio de Janeiro vão continuar em greve mesmo após terem sido recebidos pelo secretário de Educação, Wilson Risolia, na tarde desta terça-feira (12).

A audiência com Risolia ocorreu após os grevistas terem invadido o prédio da Secretaria no início da tarde. Cerca de 40 professores quebraram a porta de vidro do edifício e foram até o 5º andar onde fica o gabinete do titular da pasta. A ação foi reprimida pela PM, que atirou spray de pimenta nos manifestantes.

Segundo o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), cerca de 200 professores permanecem acampados em frente ao prédio e ainda não decidiram se vão deixar o local hoje.

Uma nova reunião da Secretaria com os professores foi marcada para a próxima quinta-feira (14). Na sexta-feira, a categoria fará uma nova assembleia para decidir sobre os rumos do movimento.

Na audiência com seis representantes do movimento de greve, Risolia afirmou que a invasão ao prédio foi desnecessária. Ele alega que sempre houve diálogo com a categoria. A greve começou no dia 7 de junho.

Compromissos mantidos

Risolia lembrou que o governo vem cumprindo os compromissos assumidos com a categoria, inclusive com melhorias salariais, e reafirmou os avanços conquistados até agora.

Segundo ele, no último dia 5, foi anunciado a antecipação para os professores de mais uma parcela do programa Nova Escola, a de 2012 para 2011.

De acordo com ele, a medida trará um impacto no vencimento-base aproximadamente 9,2% entre juno e julho. O salário base do docente de 16 horas semanais, por exemplo, passará de R$ 765,66 (junho) para R$ 836,10 (julho). Essas medidas beneficiarão cerca de 167 mil servidores da Educação, entre ativos, inativos e pensionistas e representarão um esforço orçamentário de R$ 711 milhões em 2011.

"Em 2011, mais de R$ 1,2 bilhão serão investidos no setor. São benefícios que vão desde a melhoria salarial dos professores e servidores, passando pela concessão do auxílio-transporte, pagamento de processos pendentes há mais de uma década, qualificação e formação para os docentes e obras em unidades escolares. Houve melhorias e isso não quer dizer que vamos parar por aí. Vamos avançar mais, mas há um impacto orçamentário e temos que ser responsáveis", explicou Risolia.

O secretário reforçou que foi feito o possível com o orçamento do primeiro semestre, e lembrou que foi pedido ao sindicato que aguardasse a arrecadação ao longo do mês de junho.

"Com mais segurança sobre a nossa arrecadação semestral, foi possível antecipar o valor programado para 2012. O salário-base de um professor de 16 horas em 2007 era de R$ 540. De lá para cá, o aumento superou a inflação. Com esses avanços, nós tentamos convencer aos professores a não paralisar. Embora o registro de adesão que nós tenhamos notícia seja baixo, por volta de 2%, cada escola fechada gera prejuízo para o aluno", afirmou o secretário.

Benefícios

Risolia citou como outro avanço para os servidores da Educação a concessão do auxílio-transporte, iniciada em fevereiro deste ano. De acordo com o secretário, houve um investimento de R$ 68 milhões.

O titular da pasta falou ainda que o governo está investindo, ainda, na formação e qualificação dos professores, com o cartão auxílio-qualificação (um investimento de R$ 25 milhões) e o programa de formação continuada para docentes (R$ 14 milhões).

Risolia disse também que a majoração da GLP (hora-extra), outra solicitação dos professores, também foi atendida, sendo disponibilizados mais R$ 17 milhões com a medida. Ele disse que a pasta realizará também o enquadramento de todos os docentes que estão com processos pendentes (R$ 32 milhões) e reviu a gratificação por difícil acesso (R$ 4 milhões). Paralelamente, R$ 250 milhões estão sendo investidos na melhoria da infraestrutura das unidades escolares.

"A Educação está sendo revitalizada, porém a classe é muito numerosa e o número de aposentados também. São 93 mil servidores ativos e 74 mil inativos, e essa questão salarial passa pela Previdência, inclusive. Para conceder esse aumento, é necessário ter a certeza que a Secretaria vai pagar hoje, amanhã e daqui a quatro, cinco, dez, ou 15 anos. Não adianta usar práticas que foram utilizadas no passado, como o aumento dos ativos sem rebater para os inativos. Isto gera um passivo previdenciário extremamente grande, que demoramos quatro anos para resolver. Mas desde o começo do ano, criamos benefícios que a categoria não tinha", ressaltou Risolia.

Segundo o secretário, todas essas ações da Secretaria, somadas aos R$ 140 milhões da remuneração variável, de acordo com o cumprimento das metas, geram um orçamento novo na área de educação de mais de R$ 1,2 bilhão.

A Secretaria de Educação informou que não descontará os dias parados por causa da paralisação e que os grevistas terão que repor as aulas perdidas, como foi determinado pela Justiça recentemente.

De acordo com a pasta, adesão ao movimento tem, desde o seu início, sido de apenas 2% dos 51 mil professores regentes de turma.

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