Professores decidem hoje se continuam greve nas Etecs e Fatecs

Sindicato e governo de São Paulo vão negociar nesta tarde. Paralisação completa um mês

iG São Paulo |

Professores e funcionários do Centro Paula Souza – mantenedor das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) de São Paulo – irão decidir nesta segunda-feira se continuam ou não a greve iniciada há exatamente um mês . Representantes do sindicato, do Centro Paula Souza e do governo do Estado de São Paulo irão discutir as reivindicações nesta tarde, às 15h, em uma reunião na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Após a negociação, a categoria irá realizar uma assembleia geral e decidir sobre a continuação da greve. 

Segundo o último balanço do sindicato da categoria, divulgado na quarta-feira (8), 70 Etecs e 16 Fatecs estão totalmente ou parcialmente paralisadas. A adesão é maior no interior do Estado, onde 41 Etecs têm profissionais em greve e 15 Fatecs estão com atividades comprometidas pela paralisação. O governo contesta os números e diz que a paralisação em nenhum momento superou os 20% de professores. Na sexta-feira (10), a porcentagem era de 10%, segundo nota do Centro Paula Souza. No total, há 198 Etecs e 49 Fatecs no Estado.

As Etecs são as melhores escolas estaduais de ensino médio. No último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as dez unidades da rede paulista mais bem colocadas eram Etecs. No entanto, as escolas enfrentam um grave problema de falta de professores. O próprio Centro Paula Souza demonstra preocupação com a situação de “claro docente” (disciplinas sem professores) nas unidades da rede. Em documento enviado aos diretores das Etecs no dia 1º de junho, o centro alerta aos gestores para continuar “resolvendo os problemas de claro docente, atendendo as orientações já estabelecidas, ou seja, substituição, convocação por concurso, ou processo seletivo”.

A Etec Carlos de Campos , no bairro do Brás, em São Paulo, sofre com a falta de professores. O curso técnico em Comunicação Visual, por exemplo, está com cinco disciplinas sem professores, metade da sua grade. Falta professor no curso de Nutrição e o curso de Modelagem do Vestuário (Moda) só teve docentes contratados para todas as matérias no fim de fevereiro.

Negociação

A paralisação dos professores e funcionários das Etecs e Fatecs foi iniciada em 13 de maio, um dia após o governador Geraldo Alckmin anunciar um reajuste de 11% . O piso para professores das Etecs passou de R$ 2.000 para R$ 2.220 e nas Fatecs de R$ 3.600 para R$ 3.966, para jornadas de 40 horas semanais. Por hora de aula, isso significa um aumento de R$ 10 para R$ 11,10 nas Etecs, e de R$ 18 para R$ 20 nas Fatecs.

Marina Morena Costa
Entrada de alunos da Etec Carlos de Campos tem faixa que diz: "Circo Paula Souza, os palhaços somos nós"
A reivindicação do sindicato é um reajuste de 58,9% para professores e 71,79% para funcionários para recompor perdas salariais desde 1996. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sintep), o reajuste concedido no período foi de 52,46% para os docentes e 41,02% para os funcionários. Mas a inflação acumulada pelo índice usado pelo Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), usado como base de comparação pelos professores do Centro Paula Souza que também são de nível superior, foi de 142,27%.

Durante a negociação, o governo ofereceu um reenquadramento dos docentes e funcionários das categorias iniciais, o que significa um reajuste de 12% (além dos 11%). A medida beneficiaria 6.800 professores, 53% dos docentes. Mas a categoria quer um reajuste maior e para todos os níveis.

O Centro Paula Souza também se comprometeu a apresentar um novo plano de carreira, em 29 de julho. No entanto, os professores reclamam que o antigo plano de carreira, de 2008, sequer chegou a ser colocado em prática.

A categoria reivindica também vale transporte, vale refeição – que atualmente está no valor de R$ 4 e só é pago para quem recebe até R$ 1.200 –, assistência saúde, uma vez que os trabalhadores não têm direito a usar o hospital do servidor público e precisam usar o SUS para apresentar atestados, implantação de adicional noturno de 100% e cestas básicas, entre outras reivindicações.

O Centro Paula Souza afirma que outras reuniões, em junho e em julho, foram agendadas com representantes do Sinteps para apresentação e discussão do novo plano de carreira e de outros itens da pauta. A última greve dos docentes e funcionários do Centro Paula Souza aconteceu em 2004 e durou 80 dias.

Veja as imagens da Etec Carlos de Campos , escola tradicional de São Paulo, que sofre com a falta de recursos e de docentes :

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