Oito brasileiros farão parte do grupo de 86 docentes de inglês selecionados para aprimorar técnicas de ensino no país

Oito professores de inglês da rede pública de diferentes Estados brasileiros vão realizar um sonho. Estudar novas metodologias de ensino da língua inglesa nos Estados Unidos. Eles foram selecionados para participar de um programa do governo norte-americano, chamado Líderes Internacionais em Educação. Criado há cinco anos, esse será o terceiro grupo que viaja representando o País. Ao todo, 16 países são parceiros dos Estados Unidos no projeto.

Para participar os professores precisam estar na ativa. Licenciados por qualquer motivo não entram na árdua disputa que, este ano, teve mais de 400 inscritos. O processo de seleção, feito em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), inclui análise dos currículos e perfis dos professores e provas escrita e oral. A preferência é para candidatos com perfil de liderança, que têm de traçar projetos para multiplicar o conhecimento adquirido na escola depois.

Professores brasileiros estudarão um semestre em universidades norte-americanas
Divulgação
Professores brasileiros estudarão um semestre em universidades norte-americanas
Dos 400 candidatos, apenas 18 foram escolhidos para a análise final e definição dos oito nomes, feita por uma comissão em Washington (EUA). Os oito participantes do programa são de Minas Gerais (dois), Rio de Janeiro (dois), Distrito Federal (dois), Bahia (um) e Amazonas (um). Eles viajarão para no início de janeiro para universidades em quatro lugares diferentes: Carolina do Sul, Alabama, Ohio e Virgínia.

Jeane Gomes de Oliveira, de 33 anos, nunca viajou para o exterior. Baiana e moradora de Salvador, a professora da Escola Estadual Evaristo da Veiga está ansiosa. Ela esteve em Brasília para tirar o visto de entrada nos Estados Unidos, conhecer mais detalhes do programa na embaixada americana e conta que quase não dormiu às vésperas da viagem para a capital. “Estou muito feliz, me sentindo nas nuvens”, brinca.

Para a professora, a experiência será enriquecedora não só para seu trabalho, como para toda a escola. “Quero aplicar tudo o que aprender no colégio onde dou aulas. Espero conseguir trazer novas ideias e motivar os alunos”, afirma. Raquel Martins Fidelis Ramos, 28 anos, professora do Centro Interescolar de Línguas de Sobradinho, em Brasília, também pretende melhorar as próprias aulas com o apoio recebido.

“Espero que os conteúdos que vamos aprender façam diferença nas aulas. Não há fonte melhor para isso do que os Estados Unidos. Estou muito contente com a oportunidade, mas a ficha ainda não caiu que vou participar do programa”, brinca. Raquel diz que sua paixão é ensinar inglês para estrangeiros e por isso escolheu a escola de línguas da rede pública do Distrito Federal para dar aulas.

Rotina de estudante

Os professores ficarão hospedados em alojamentos universitários e vão cursar um semestre acadêmico nas instituições norte-americanas. Lá, aprenderão sobre novas tecnologias de ensino, metodologias de ensino de inglês para estrangeiros, informática na educação e farão estágios supervisionados em escolas do país. “O objetivo do governo norte-americano é fortalecer a educação nas Américas. Cada país estabelece uma parceria diferente com o Departamento de Estado”, com Márcia Mizuno, assessora cultural e coordenadora dos projetos de educação da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Segundo Márcia, o Brasil solicitou apoio no ensino de inglês. “Com o crescimento da economia brasileira e a proximidade de grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o País sente a necessidade de oferecer à juventude mais uma ferramenta de profissionalização”, opina a assessora cultural.

Todos os custos com passagens, alimentação e materiais didáticos são arcados pelo governo norte-americano. Os professores ganharão, inclusive, dinheiro para comprar um laptop, já que há muitas atividades pela internet. O programa só terminará em maio de 2011.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.