Professores da rede estadual de São Paulo suspendem greve

No dia em que a greve completa um mês, os professores da rede estadual de ensino de São Paulo resolveram voltar ao trabalho. Em assembleia na tarde desta quinta-feira, no vão do Masp, na Avenida Paulista, cerca de dois terços dos grevistas votaram pelo fim da paralisação.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, sindicato que representa os professores, afirmou que a reunião com o governo realizada na quarta-feira "foi uma vitória". "Suspender a greve é importante para fortalecer o movimento. Houve uma queda na mobilização dos professores. Muitos deles já não tinham condições de ficar mais de 30 dias sem trabalhar. Vencemos politicamente um governo autoritário como o do Serra (José Serra, ex-governador e pré-candidato à Presidência) porque fomos recebidos para negociar mesmo estando em greve".

Assembleia

Em reunião na manhã desta quinta-feira, o Conselho Estadual de Representantes da Apeoesp decidiu pela suspensão da greve, mas a pauta deveria ainda ser levada para a avenida Paulista, onde seria votada pelos professores.

Desde o início das argumentações dos líderes dos sindicatos, os manifestantes demonstravam que a negociação para o fim da greve não seria fácil. Utilizando palavras de encorajamento e valorização dos atos realizados no último mês, os sindicalistas se revezavam ao microfone, tentando convencer uma multidão que vaiava a cada vez que a frase "suspender a greve" era mencionada.

"Nós conseguimos uma vitória em negociar com o secretário. O Paulo Renato disse que não negociaria com a gente sem que a greve fosse suspensa e acabou chamando para uma reunião ontem (quarta-feira). Ele disse que não pode pagar as faltas, mas assim que os professores repuserem, ele paga. E ainda disse que ninguém será punido", comenta José Maria Canceliero, presidente do Centor do Professorado Paulista (CPP).

Queda na adesão

Um dos motivos da suspensão da greve é o enfraquecimento na adesão. "Estamos suspendendo a greve em defesa daqueles que participaram de todas as passeatas e depois iam para a porta das escolas fazer o trabalho de convencimento sobre a greve. Esses sabem a realidade das escolas, o índice de paralisação. Muitos dos que querem a continuidade da greve não conseguem paralisar nem mesmo a própria escola", defendeu Francisco Gomes, conselheiro da Apeoesp.

Na assembleia desta quinta-feira, l

íderes da Apeoesp reforçaram o coro para acabar com a greve argumentando que a manifestação não havia mobilizado nem mesmo 5 mil pessoas.

No início do mês de março, as passeatas reuniam em torno de 40 mil participantes, segundo números da Apeoesp. Os números da Polícia Militar sobre as passeatas ficavam em torno de 8 mil.

Contra a suspensão

Um grupo de professores, apoiado por sindicatos contrários à suspensão da greve, criou um racha na avenida Paulista durante a Assembleia. Um pequeno carro de som serviu de palanque para as vozes contrárias e, pouco antes da votação da assembléia, um princípio de tumulto se instaurou na manifestação.

O professor Ademir Antunes, de São José dos Campos, está entre os que votaram contra a suspensão da greve. "O que está havendo hoje foi o mesmo que aconteceu em 2008, quando houve uma paralisação de 23 dias sem sucesso em negociações. Agora fica a impressão de que foi o governo que acabou com a greve. E isso não é verdade. Na escola em que eu trabalho 90% aderiram."

AE
Professores entram em confronto durante assembleia

Professores entram em confronto durante assembleia

Como a votação não foi unânime, o grupo de professores que não queriam suspender a greve cercou o carro de som da Apeoesp, causando tumulto e tentou agredir Maria Izabel Noronha, que deixou a avenida Paulista escoltada por seguranças.

Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Educação diz que, com a suspensão da greve, ela "reafirma sua disposição de reunir-se em uma mesa de entendimentos com as entidades representativas do magistério". A secretaria, entretanto, diz que não vai aceitar mudanças em leis e programas como o de valorização do mérito ou na prova dos temporários.

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