Professora segue a linha dos alunos e elogia redação da Fuvest

Tema relacionando altruísmo e a sociedade contemporânea era amplo e rico. Prova de português também foi bem avaliada

Lucien Adedo, especial para o iG |

[]Grande parte dos convocados à segunda fase do vestibular da Fuvest elogiou o tema da prova de redação. No exame deste domingo (9), os candidatos tiveram que dissertar a partir do enunciado: “O altruísmo e o pensamento a longo prazo ainda têm lugar no mundo contemporâneo?” Para Eclícia Pereira, professora de redação do Cursinho da Poli, é justamente por ser filosófico e amplo que o tema facilitou a vida dos estudantes.

“A proposta foi muito bacana, pois o aluno explora um assunto atual e repleto de bons exemplos. Estava bem tranquilo para qualquer um que estivesse minimamente preparado. Sem contar que os textos de apoio eram excelentes”, explica a professora.

Um dos textos lembrava o gesto do paisagista Burle Marx, que plantou, no aterro do Flamengo, palmeiras que só iriam florescer uma única vez em cerca de 50 anos. Em uma entrevista, ele explica que teve a oportunidade de ver o florescimento porque alguém a havia plantado antes e que, por isso, faria o mesmo pelas gerações futuras. As palmeiras do aterro da Flamengo floriram em 2009, 15 anos após a morte de Burle Marx. 

“Esse é o indicativo máximo do altruísmo”, continua Eclícia, “e um tema como esse, numa sociedade rotulada como extremamente individualista, é algo digno de admiração. Por isso eu acho que, em relação à prova do ano passado, esta foi mais bem elaborada”. 

A professora considerou o tema da redação um sucesso, pois ele permitia abordagens mais subjetivas, amparadas, por exemplo, no gesto de Burle Marx, mas também mais concretas, baseadas no dia-a-dia. “Os exemplos são muitos, eu penso no político, que faz algo para a sociedade que, às vezes, só renderá frutos em vinte anos, quando ele já não estará mais no poder. Isso é altruísmo.”

Prova de português quase sem surpresas

A prova de português também foi elogiada. Para Cristiane Bastos, professora do Cursinho da Poli, as questões da Fuvest 2011 estavam no mesmo nível das do ano passado, medianas e bem elaboradas, mas não difíceis.

“A prova estava muito boa, clara e objetiva. Mesmo na primeira fase eu considerei alguns enunciados de interpretação relativamente mais difíceis, mas dessa vez não houve nenhuma polêmica.”

Cristiane afirma que nem a parte gramatical foi pesada, reflexo da tendência atual de cobrar o assunto de uma forma mais aplicável. Para a professora a única surpresa da prova foi a ausência da obra ‘O Auto da Barca do Inferno’, que estava na lista de livros do vestibular. “A Fuvest de vez em quando faz dessas”, brinca Cristiane.

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