Professora nega que tenha impedido aluno gago de falar

Nos EUA, docente diz que não tinha intenção de silenciar estudante, mas apenas deixá-lo mais a vontade e controlar tempo de aula

The New York Times |

A professora universitária que pediu que um aluno com gagueira não fizesse perguntas em sala se disse "vítima de assassinato de caráter", afirmando que suas ações foram mal interpretadas e que ela não tinha a intenção de silenciá-lo. Philip Garber Jr, de 16 anos, deixou de frequentar as aulas de história de Elizabeth Snyder , na Faculdade Condado de Morris, depois que ela teria pedido que ele não falasse.

Em entrevista, a professora afirmou na quinta-feira que desde que o caso foi relatado pela primeira vez esta semana no jornal The New York Times recebeu emails “cheio de ódio e raiva", fazendo-a temer por sua segurança.

O estudante é um aluno do último ano do ensino médio que cursa algumas aulas na faculdade de Randolph, Nova Jersey, mas para quem falar é algo lento e difícil. Foi matriculado em um curso de história ministrado por Snyder, professora adjunta da instituição. Depois de algumas aulas, ela enviou um email pedindo que ele fizesse suas perguntas depois da aula "para não interferir no tempo de outros alunos" e que escrevesse as suas respostas a perguntas feitas por ela, em vez de tentar respondê-las em voz alta.

Segundo a docente, fez isso para deixá-lo mais à vontade e também porque o aluno tomaria muito tempo de aula caso falasse o tempo todo. Negou que não fosse mais deixá-lo falar, mas afirmou que iria chamá-lo uma vez por aula.

"Ele parecia querer responder todas as perguntas", disse, acrescentando: "eu precisava levar em consideração a quantidade de tempo que ele levaria para dar sua resposta". Mas insistiu que sua ideia foi apenas uma sugestão e que "nunca houve qualquer intenção de impedi-lo de falar."

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Philip Garber Jr deixou de frenquentar aulas da professora Elizabeth Snyder, mas disse que não quer prejudicá-la
O jovem Garber afirmou que em uma aula teria mantido sua mão levantada durante 75 minutos, sem receber atenção. Sobre esse episódio, a professora escreveu em comunicado: “Eu não chamei Philip naquela aula, assim como nenhum outro aluno, simplesmente porque eu tinha uma apresentação detalhada prevista para a aula e queria terminar dentro do tempo”.

"Ele interpretou mal isso e assumiu que tinha algo a ver com a gagueira; eu interpretei sua mão erguida por 75 minutos como algo feito por alguém não familiarizado com o formato de uma aula de faculdade e, francamente, um pouco rude", disse. "Pensando agora em retrospectiva, eu deveria ter parado minha aula e falado com Philip, que tinha se tornado tão obcecado em fazer uma declaração que não parecia se importar em interromper a minha apresentação."

Mas o estudante afirma que Snyder, na verdade, chamou outros estudantes naquele dia. Já a professora também nega que tenha dito que a frase relatada pelo aluno: "sua fala é perturbadora".

Ambos dizem que concordaram que ele iria enviar um email listando suas preocupações, mas nunca o fez, e que ela tentou organizar reuniões com ele e um diretor da faculdade, mas Philip desistiu delas. Snyder disse que ela também consultou um terapeuta da fala sobre a situação.

O relato do episódio em jornais provocou polêmica e centenas de leitores se manifestaram em comentários, alguns deles furiosos com Snyder, e outros indignados que a história tenha sido contada sem a versão da professora. Administradores universitários afirmaram na terça-feira que ela agiu de forma abusiva e que o que Garber passou pode ser considerado discriminação – um rótulo do qual Snyder discorda.

Após a repercussão negativa, Garber se disse preocupado e que não tem interesse em vê-la penalizada.

"Os erros da maioria das pessoas não se tornam notícia nacional", disse ele.

Snyder ensina história há 37 anos, primeiro no ensino médio e na última década na faculdade do condado, onde os alunos a avaliam positivamente. Em maio, o Fundo das Faculdades de Oportunidade Educacional a nomeou educadora do ano por seu trabalho com alunos com problemas financeiros e acadêmicos.

"Eu tenho sido uma defensora das crianças toda a minha vida", disse ela. "Mas a pressa das pessoas em julgar este caso parece ter praticamente destruído tudo o que fiz”.

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