Professor que caminhou de São Paulo a Brasília entregará carta

Documento é endereçado à presidenta Dilma, mas caminhada de 40 dias acabou no data da posse e plano foi adiado

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Backer Ribeiro, de 44 anos, fez nesta quinta-feira a segunda tentativa de entregar à presidenta Dilma Rousseff uma carta. A primeira foi no dia 1º de janeiro, data da posse, após caminhar 40 dias entre São Paulo e Brasília recolhendo pedidos da população para compor o documento que chamou de “Carta de um brasileiro”.

Arquivo Pessoal
De São Paulo a Brasília em 40 dias de caminhada para entregar carta a presidenta

O projeto idealizado por ele e um grupo de amigos era reunir as reivindicações e fazer a entrega antes que Dilma começasse a governar. Eles saíram da Praça da Sé no dia 21 de novembro – ele a pé e uma produtora, um cinegrafista e um fotógrafo na equipe de apoio e documentação – e chegaram a Brasília em 30 de dezembro. “Quando percebemos como era a agenda da cerimônia de posse, vimos que não seria possível a entrega e resolvemos remarcar”, conta.

Dessa vez, ele foi na véspera da data marcada, de avião. Acabou recebido pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que prometeu analisar o material e agendar um encontro com Dilma.

A carta de 6 páginas, segundo ele, sintetiza 5 mil pedidos, 2 mil deles vieram pela internet de 140 municípios como resposta à pergunta: “Se você pudesse se encontrar com o presidente eleito, o que você pediria a ele?”. Os demais foram recolhidos na caminhada e em paradas anunciadas com antecedência na imprensa local.

Pedidos na área de Educação
O professor afirma que a maior parte das pessoas fez solicitações de melhor saúde e educação pública. Segundo ele, muitas das pessoas que se aproximaram eram colegas de profissão, mesmo que de outras etapas de ensino. “Uma preocupação muito repetida foi com a perda de prestígio do profissional. As pessoas dizem que ninguém mais quer ser professor pela falta de respeito que se tem com os educadores e pedem a valorização.”

Outros pedidos são de estrutura e mais escolas. “Algumas pessoas faziam menções a bairros específicos que ainda não têm atendimento escolar”, conta.

Apesar da insistência após tanto esforço, Backer se diz satisfeito com o resultado. ““Estamos com um sentimento de dever cumprido. Foi a primeira vez que nos envolvemos em um projeto deste e conseguimos recolher os pedidos, agora só falta que eles sejam ouvidos.”

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