Docente do curso de Engenharia Química da UFMA é acusado de ter humilhado aluno nigeriano em sala de aula

O Ministério Público Federal do Maranhão (MPF-MA) denunciou nesta quarta-feira (20) o professor do departamento de Matemática da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), José Clóvis Verde Saraiva, por crimes de racismo, xenofobia e injúria racial. Ele foi acusado por estudantes do curso de Engenharia Química da instituição de humilhar em sala de aula o aluno nigeriado Nuhu Ayuba .

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Além disso, o MPF também ingressou com uma ação civil pública por improbidade administrativa contra o docente por entender que práticas racistas não condizem com a postura de um funcionário público federal. Pelo crime de racismo, xenofobia e injúria racial, o professor pode pegar até cinco anos de prisão. Saraiva também pode ser exonerado caso seja condenado por crime de improbidade administrativa.

Segundo denúncia, o estudante Nuhu Ayuba teria sido humilhado por professor
Wilson Lima/iG Maranhão
Segundo denúncia, o estudante Nuhu Ayuba teria sido humilhado por professor
Segundo a denúncia do procurador Israel Gonçalves Santos Silva, em pelo menos cinco ocasiões o professor ofendeu o aluno em sala de aula com referências racistas. O texto do MPF, elaborado com base em testemunhas, aponta que o professor disse que Ayuba chegou ao Maranhão em um “navio negreiro”, questionou “com quantas onças” ele teria brincado na África e insinuou que se ele namorasse uma mulher “branca” isso iria “clarear a sua pele”.

De acordo com o procurador Israel Gonçalves Silva, “as expressões descritas demonstram a intenção do denunciado em praticar ofensa aos negros e em especial à vítima-direta, tendo por motivação a sua procedência e a sua cor”. “Não restam dúvidas, pois, de que o denunciado ao proferir as diversas expressões aqui aludidas praticou, ao menos por cinco vezes, os crimes de racismo, de xenofobia e injúria racial”, relatou.

As denúncias contra Saraiva surgiram em julho do ano passado, quando alunos do curso de Engenharia Química ingressaram com uma petição pública contra o docente. O MPF, a Polícia Federal e a própria UFMA realizaram investigações sobre o caso . Apenas o inquérito do MPF e da PF foram concluídos. A sindicância da UFMA chegou a ser arquivada por falta de provas, mas foi reaberta após a descoberta de inconsistências no procedimento de investigação.

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O professor José Clóvis Saraiva não foi encontrado pelo iG para falar sobre as denúncias nesta quinta-feira. No entanto, à equipe da TV Mirante, afiliada da TV Globo do Maranhão, Saraiva disse que as denúncias eram fruto de uma indignação de um determinado grupo de alunos. Em julho, quando o caso foi descoberto, Saraiva afirmou ao iG que tudo não passou de um mal entendido e que as referências ao povo negro eram apenas uma brincadeira. “O pessoal de matemática, química, sempre brinca. Essas disciplinas são disciplinas pesadas e você tem que descontrair um pouco em sala, mas sem qualquer conotação de preconceito. Agora, eu posso falar uma coisa e você entender de outra forma”, disse na época.

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