Primeiros formandos do ProUni enfrentam dificuldades na busca por emprego

SÃO PAULO - O jovem Bruno Silva, 21 anos, encerra e inaugura mais um ciclo de vida. Na noite da última terça-feira ele recebeu o diploma de bacharel em jornalismo. Também neste dia ele focou toda a atenção para seu próximo objetivo: ¿Para este ano, o que eu quero mesmo é conseguir um emprego fixo¿, resume ele, atualmente diagramador freelancer de uma revista de compras da zona sul de São Paulo.

Agência Brasil |

Bruno é um dos 112 mil estudantes que ingressaram na universidade, no início de 2005, por meio do recém-criado Programa Universidade para Todos (ProUni). Nesta noite, ele se torna um dos integrantes da primeira leva de bolsistas do ProUni formados e, assim como os outros, pretende entrar para o mercado de trabalho formal brasileiro.

O formando foi um dos estudantes de escola pública e de renda familiar de até três salário mínimos per capita contemplados com um subsídio de 100% do valor das mensalidades de seu curso, na Universidade de Santo Amaro (Unisa), graças à boa nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2004. O bom desempenho na escola, e também na universidade, porém, não garantiram a ele uma possibilidade de trabalho como a esperada, pelo menos por enquanto.

Há muitas vagas em empresas de assessoria de imprensa para recém-formado. Mas não é isso que quero, disse ele. Eu queria fazer um curso para procurar uma vaga no jornalismo impresso, mas ainda não tive como pagar. Vamos ver quando vai dar.

Recém-formado em engenharia mecânica automobilística pelo Centro Universitário FEI, Lucas de Melo, 28 anos, é outro bolsista que ainda não obteve uma vaga de trabalho em sua área formação. Hoje, ele trabalha como técnico em uma indústria paulista. Trabalho na minha área, mas ainda não estou no cargo que gostaria.

Os dois estudantes são apenas exemplos que fazem parte de um universo ainda maior, de acordo com levantamento feito pela educadora Leda Maria de Oliveira Rodrigues, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A pesquisadora acompanhou o ingresso dos bolsistas do ProUni no mercado de trabalho e observou as dificuldades extras que esses estudantes têm para conseguir um emprego. Existem diferenças sociais e culturais que acabam sendo um obstáculo para esses estudantes vindos da escola pública, conclui.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lucia Stumpf, acredita que outros fatores, como a falta de uma formação complementar, também dificultam a inclusão dos bolsistas no mercado. De fato, apesar do diploma, o bolsista do ProUni tem diferenças que os tiram dos melhores empregos. O bolsista não tem curso de especialização, não fez um curso de línguas, e isso é uma dificuldade.

Para ela, a extensão da bolsa do Prouni para curso de pós-graduação reduziria os obstáculos. A proposta é uma das sugestões de melhorias para o ProUni feitas pela UNE ao Ministério da Educação (MEC).

A secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, entretanto, não acredita nas diferenças. Segundo ela, com um diploma universitário na mão, a empregabilidade também cresce. Se os bolsistas do Prouni têm mais dificuldades em encontrar um emprego, disse ela, isso ainda deve ser verificado em pesquisas mais detalhadas sobre o assunto.

Maria Paula afirmou também que, por enquanto, está descartada a extensão do ProUni para pós-graduação ou para outros cursos. "Não podemos tirar o foco do programa."

"Iria ajudar muito", discorda Bruno, o bolsista e formando.

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