Primeiros bolsistas do ProUni internacional viajam na próxima semana

Dez jovens de baixa renda de diferentes Estados do País estão concluindo um curso rápido de espanhol antes de embarcar para a Espanha no dia 12 de abril. Eles ganharam bolsas para cursar a graduação na universidade espanhola da Salamanca.

Priscilla Borges, iG Brasília |

Esses estudantes estreiam uma nova fase do Programa Universidade para Todos (ProUni), criado pelo Ministério da Educação em 2004 para conceder bolsas estudo em instituições particulares a jovens com baixo poder aquisitivo. O programa oferecerá bolsas de estudo em instituições internacionais.

A Universidade de Salamanca é a primeira participante do projeto e oferecerá 40 vagas a estudantes brasileiros nos próximos quatro anos. Segundo Leonardo Barchini, assessor para assuntos internacionais do MEC, há conversas com outras universidades estrangeiras para que a oferta seja ampliada, mas ainda sem definições.

Os estudantes escolhidos para iniciar a experiência conseguiram notas superiores a 750 pontos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), principal critério de seleção dos candidatos às bolsas. Segundo a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, os primeiros colocados dos cursos foram convocados para assumir as vagas.

As vagas oferecidas pela Universidade de Salamanca são nos cursos de Pedagogia, Matemática, Farmácia, Engenharia Civil, Engenharia Química, Comunicação Social e Engenharia Informática. Elas foram ocupadas por estudantes do Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Maranhão. Todos receberão bolsas de estudo, moradia, alimentação e passagens aéreas (uma vez por ano, para visitar os pais).

Esses jovens estão quebrando fronteiras e tenho certeza de que se sairão muito bem, porque são capacitados e estão preparados para isso, afirma Maria Paula. Os bolsistas embarcam para a Espanha na próxima semana e continuarão os estudos de espanhol em Salamanca até setembro, quando as aulas começam.

Primeira viagem ao exterior

Rubens William dos Santos Lima, 17 anos, não sonhava em sair do País tão cedo. Aprovado para o curso de Engenharia Química da Faculdade Oswaldo Cruz, em São Paulo, recebeu a notícia de que poderia optar por estudar na instituição espanhola há poucos dias. Fiquei assustado, mas já me sinto mais preparado, admite.

O estudante de Osasco, que fez o ensino médio em escola técnica pública, cursará Engenharia Química. Ele conta que os pais ¿ porteiro aposentado e empregada doméstica ¿ estão orgulhosos, apesar das saudades já declaradas. Os sentimentos são compartilhados pelos pais dos outros jovens selecionados.

Danilson Almeida Silva, 18 anos, saiu de Caxias do Maranhão para ir a Brasília estudar Ciência da Computação. Com poucos dias de aula, descobriu que havia sido escolhido para receber uma bolsa de Salamanca. Antes dele, três candidatos com pontuações mais altas foram chamados, mas não quiseram aceitar a oferta.

O maranhense que estudou em um colégio estadual da sua cidade natal nunca havia estudado espanhol, muito menos saído do Brasil. O nervosismo que antecede as novas descobertas, segundo ele, já passou. Danilson, filho de uma professora e um marceneiro, só pensa no que irá aprender. Vai nos ajudar a crescer, afirma.

Jamais sonhei com essa possibilidade, conta Tâmira Gressoni, 22 anos. Estudante de Campinas (SP), ela já estava procurando emprego para ajudar a família e se manter no curso de comunicação social em uma instituição privada da cidade. Agora, só pensa no orgulho dos pais e na oportunidade de aprendizado.

Meta

Os bolsistas se encontraram nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Fernando Haddad, em Brasília.

O ministro disse que o desempenho dos alunos selecionados é semelhante ao de estudantes de países desenvolvidos. Eles tiveram desempenho compatível com qualquer estudante de países desenvolvidos e, a partir do convênio com o governo espanhol, a universidade está acolhendo esses estudante com bolsas integrais, afirmou.

Para o ministro, os dez alunos selecionados estão entre os 2%, 3% mais [qualificados] do País. Entre os 2,5 milhões de estudante que fizeram o Enem e entre os 200 ou 300 [melhores] do país.

Haddad revelou que meta a inicial do ProUni, de conceder 720 mil bolsas, dever ser superada no próximo semestre. Seguramente, vamos superar. Basta apenas mais 22 mil bolsas para superar esta meta.

Lula e Haddad ressaltaram que a partir do convênio com a universidade de Salamanca novas parcerias podem ser fechadas com outros países.

O acordo entre o [Ministério da Educação] MEC e a Universidade de Salamanca é o primeiro grande passo de uma grande caminhada para que a gente possa estabelecer convênios com outras universidades e, quem sabe numa troca, possamos mandar nossos alunos para lá e possamos receber alunos de outras universidades aqui no Brasil, porque em alguns centros do País já temos um ensino de excelência, afirmou Lula.

Com Agência Brasil

    Leia tudo sobre: enemprouni

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG