SÃO PAULO - A greve liderada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo, a Apeoesp, completa 30 dias na próxima quinta-feira, dia 8 de abril. De acordo com a presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha, a adesão é de apenas 20% na capital paulista, mas de 45% no interior de São Paulo. Em toda a rede pública estadual são 220 mil professores.

Mesmo com a redução da adesão, que na primeira semana atingia 60% dos professores, segundo a Apeoesp, Maria Izabel espera marcar o mês de paralisação com uma grande vigília na Praça da República, região central da cidade, onde fica a sede da Secretaria de Educação.

Os professores da rede estadual estão reivindicando, entre outros pontos, um aumento salarial de 34,3% e a incorporação das gratificações ao salário base, criação de um plano de carreira e modificação no processo de contratação de professores eventuais. 

Em entrevista ao iG concedida no apartamento que Maria Izabel ocupa no prédio da sede da Apeoesp, no Largo do Arouche, Centro da capital paulista, a presidente da instituição, admitiu que a greve é política e oportunista. Maria Izabel, filiada ao PT desde 1991, responde a uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do PSDB, que acusa as manifestações de caráter eleitoreiro.

iG - É errado dizer que esta é uma greve política?
Maria Izabel ¿ É um ato político. Na quinta-feira, ninguém sai da Praça enquanto não tiver negociação. Vamos fazer rodízio, acampar, virar a noite, vamos abrir as portas às pessoas que querem nos dar apoio. Esperamos 40 mil pessoas. Então, é um ato político. Vamos fazer na quinta para podermos negociar na sexta-feira, dia útil. Pensamos até nisso, essa é a estratégia. Parece até guerrilha.

iG ¿ E um ato político em ano eleitoral não pode ser considerado eleitoreiro?
Maria Izabel ¿ Vou usar uma palavra: oportunista. Fomos mesmo oportunistas porque era o momento em que a gente conseguiria pressionar. Quando é que iriam prestar atenção? Em 2009 fizemos várias paralisações... Essa foi a única oportunidade que nós tivemos.

iG ¿ Qual é o balanço que a senhora faz da greve após um mês?
Maria Izabel - Ainda não há nada assinado, mas do ponto de vista da visibilidade para os problemas da educação a greve foi muito positiva, mostrou que não está tudo uma maravilha. O ponto alto da greve é que ela unificou a categoria e também outros setores do funcionalismo público. O ponto baixo foi termos sido recebidos pela polícia com truculência no Palácio dos Bandeirantes, um local público. Outro ponto baixo foi a oposição dentro da própria Apeoesp. O vice-presidente José Geraldo Correa Junior, do PSTU, fez críticas na imprensa. Antes, nós tínhamos as nossas divergências internas, mas para a mídia nós segurávamos a barra...

iG ¿ Você poderia comparar as gestões dos governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin com relação às políticas educacionais?
Maria Izabel - Há diferença entre Alckmin e Serra. O Alckmin não comprava pau com a gente, acho que por conta da greve de 2000, quando o Mário Covas (PSDB) era governador. O Alckmin não paga para ver, ele dá mais autonomia para a Secretaria de Educação, para construir junto com os professores um projeto educacional. Já o Serra é autoritário, centralizador, engessado.

iG ¿ E o que você diria aos pais dos alunos que estão sem aulas?
Maria Izabel - Os pais ficam revoltados, mas a questão no fundo é que ninguém aguenta ficar com os filhos dentro de casa. Eu peço o apoio deles para a gente resolver isso mais rápido. A orientação que eu dou é que os pais não mandem os alunos para a escola para eles poderem repor as aulas depois, como aconteceu quando teve o surto de gripe suína.

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