Nos primeiros 30 dias ela será escoltada diariamente por um caminho de quase uma hora da prisão à faculdade

Mesmo cumprindo uma pena de 25 anos e quatro meses de prisão ainda em regime fechado, Cynthya Corvello , 40 anos, poderá estudar História na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. A Justiça do Ceará concedeu nesta sexta-feira (24) uma autorização especial para que a detenta busque o diploma de ensino superior.

Daniel Aderaldo / iG Ceará
Cynthia trabalha na biblioteca na prisão
Cynthya não estudava desde que concluiu o Ensino Médio, no final da década de 1980, no Colégio Anchieta, uma escola particular de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Mesmo assim, conseguiu tirar 900 na Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 – a nota máxima é 1000 – e nas provas objetivas, sua média foi 612. Pontuação suficiente para garantir a vaga na universidade pública.

As aulas começarão na próxima segunda-feira (27), no turno da manhã, de 7h às 11h. Do Instituto Penal Feminino, no município de Itaitinga, até o Centro de Humanidades da UFC, localizado no bairro Benfica, em Fortaleza, são 30 quilômetros. Uma viagem que, de ônibus, dura pelo menos uma hora.

Nos primeiros 30 dias de aula, Cynthya irá para a universidade escoltada por um agente prisional. Segundo a Secretaria de Justiça do Estado do Ceará (Sejus), depois disso, com trajeto e horários estabelecidos, ela irá sozinha às aulas, mas monitorada por uma tornozeleira eletrônica. A secretaria irá disponibilizar vale-transporte para que a detenta faça o deslocamento de ônibus.

Quando saiu no resultado da seleção do Sistema de Seleção Unificado (Sisu) que Cynthya havia sido aprovada, a Defensoria Pública do Estado do Ceará ingressou com um pedido na Justiça para que a detenta, mesmo em regime fechado, tivesse a permissão de deixar a carceragem cinco vezes por semana para estudar - benefício reservado, em geral, apenas a presos do regime semi-aberto.

“Nós tivemos o cuidado de não gerar falsas esperanças, porque sabíamos que era difícil, até por conta da previsão legal do regime fechado, que seria um obstáculo “, contou ao iG a coordenadora do Núcleo Especializado em Execução Penal da Defensoria Pública do Ceará, Aline Miranda.

“A pena tem por finalidade o resgate para que a pessoa volte a conviver com a sociedade em condição de harmonia. Não se pode manter uma pessoa encarcerada somente por vingança", argumentou a defensora.

No dia 1º de março Cynthya tem um compromisso com a magistrada que lhe concedeu a permissão de estudar, mesmo estando cumprindo pena em regime fechado. Ela irá ouvir da juíza Luciana Teixeira de Sousa as regras e condições que a caloura precisará observar para não perder o direito que conquistou na Justiça. Cynthya terá de seguir com rigor o horário das aulas e o trajeto definido pela Secretaria de Justiça do presídio à universidade e da universidade ao presídio.

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