Prêmios para universitários são trampolins para a pesquisa científica

É crescente o número de grandes instituições que organizam concursos especiais destinadas aos universitários. Em geral, os realizadores esperam assim encontrar e oferecer oportunidades aos chamados jovens talentos, que se destacam dos demais estudantes que preferem achar os prêmios ¿coisas de nerds¿.

Maria Rita Fava |

Mais que trampolins para a conquista de bolsas de estudo no exterior, estágios bem remunerados e programas de trainees, estas premiações especiais para universitários incentivam e dão suporte à pesquisa acadêmica entre estudantes e professores para então desenvolver e apresentar seus projetos.

O principal objetivo destes prêmios, normalmente, é penetrar o ambiente universitário para extrair idéias e soluções inovadoras, em diversas áreas, que apresentem de maneira simples e racional caráter visionário. Para participar, basta não só determinação e uma idéia inédita: é preciso disposição para o desenvolvimento de pesquisas, prática cada vez mais distante do meio estudantil, uma vez que os alunos podem encontrar respostas para tudo em sites de busca como o Google.

De acordo com o professor coordenador do curso de Agronomia da Faculdade Cantareira, Marcos Roberto Furlan, para os acadêmicos estes concursos proporcionam motivação para uma competição em que o enfoque principal é o conhecimento. Dentro de escolas e universidades estimulam discussões úteis e importantes. Destaca-se também que os temas dos prêmios têm sido relacionados com questões atuais. As instituições que possuem alunos que vencem, procuram destacar através de seus meios de comunicação o resultado, e desta forma incentivam outros a participar, explica.

Para além da vida acadêmica, as premiações voltadas aos talentos universitários proporcionam um diferencial no currículo do aluno prestes a ingressar no mercado de trabalho. Projetos premiados são sinônimos de criatividade, resultado de muita pesquisa e visão mercadológica, características valorizadas pelas grandes empresas.

Quem faz

Exemplos já consolidado destes concursos são os Prêmios Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação. Em sua 4ª edição, realizada pelo Santander Universidades, com o desenvolvimento e a gestão do Universia Brasil, estimulam a atitude empreendedora e a pesquisa científica no meio acadêmico, revelando novos talentos. Os vencedores de cada categoria, de ambos os prêmios, recebem R$ 50 mil para viabilização do projeto, totalizando R$ 350 mil em premiações.

As inscrições para os Prêmios Santander foram encerradas em 22 de agosto. Participam do concurso estudantes de graduação ou pós-graduação e, no de Ciência e Inovação, pesquisadores-doutores, ambos participando tanto individualmente como em equipe, de Instituições de Ensino Superior parceiras do Universia ou do Santander Universidades.

"Os Prêmios Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação representam uma das ações mais importantes do Santander Universidades no País. Revelam talentos e incentivam a atitude empreendedora e a pesquisa científica, beneficiando tanto o mundo acadêmico quanto às comunidades envolvidas com os projetos. O número de participantes cresce a cada ano, o que prova a sua consolidação entre universitários e pesquisadores", afirma o vice-presidente do Santander Universidades, Jamil Hannouche.

Para Alina Correa, Diretora Geral do Universia Brasil, os prêmios são importantes disseminadores de estímulo para a pesquisa científica no meio acadêmico. Por meio dos casos de sucesso, alcançados ao longo das edições, é possível perceber que a pesquisa científica brasileira tem um grande potencial, que precisa ser explorado, declara Alina.

De acordo com pesquisa divulgada pelo MEC (Ministério da Educação) e pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o Brasil ocupa o 15º lugar no ranking mundial de produção científica, com 2,02% da produção global. Hoje, o País responde por 0,5% das patentes no mundo, o que se pode perceber que muito pouco do que se produz chega ao mercado, sinaliza a Diretora.

O Prêmio Santander de Ciência e Inovação dá visibilidade ao trabalho realizado dentro das universidades e possibilita parcerias para que os projetos cheguem ao mercado.Em suas três edições, os Prêmios Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação receberam mais de 3.500 inscrições, com prêmios no valor total de 1 milhão e cento e cinqüenta mil reais para os 22 projetos vencedores, divulga a Instituição.

Quem fez

Outro exemplo que mobiliza e estimula estudantes de todo o Brasil é o Concurso Universitário de Jornalismo promovido pela rede de televisão norte-americana CNN. Esta premiação é aberta exclusivamente aos estudantes do curso de jornalismo. Realizado desde 2005 com o objetivo de incentivar futuros repórteres em âmbito nacional, este ano, o concurso apresentou o tema "Socialização por meio da arte". A matéria premiada desta edição foi Maracatu ¿ Projeto Calo na Mão, da estudante Clara Vanali Alves Moreira da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Os trabalhos inscritos deveriam apresentar dois minutos cada. Após uma pré-seleção, foram escolhidos 10 finalistas, julgados posteriormente por uma comissão formada por William Waack (Jornal da Globo), Marcelo Tas (Band) e Heródoto Barbeiro (TV Cultura e Rádio CBN).

Segundo a vencedora, estudante do quarto ano de jornalismo e estagiária da TV Mackenzie, participar do concurso foi um grande estímulo para esta etapa final do curso, quando grande parte dos alunos encontra-se, ainda, sem rumo e desanimado devido à correria para entregar o Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC. O trabalho vencedor será exibido na CNN Internacional e a responsável garante uma viagem aos Estados Unidos, para conhecer pessoalmente a sede da CNN na cidade de Atlanta.

Soube do prêmio por divulgação da própria faculdade. Estava envolvida em projetos da TV universitária e resolvi participar. Quando vi o tema desta edição lembrei de um conhecido meu que há muito tempo fazia parte de um grupo de Maracatu. Fui atrás, passei um dia inteiro com o pessoal do colégio estadual Antonio Alves Cruz, ali na região do Sumaré, e fui muito bem recebida pelo pessoal, conta a estudante. 

As gravações, segundo Clara, foram feitas em dois sábados. Fui acompanhada por um câmera e um auxiliar de som. Graças ao suporte acadêmico que tive e ainda tenho na TV Mackenzie foi possível a realização do vídeo, falo isso com certeza. Fez toda a diferença contar com a estrutura oferecida na faculdade, para desenvolver o roteiro, fazer a edição e, claro, realizar pesquisa, complementa.

Encaro este prêmio como um excelente diferencial para o meu currículo. Acredito que terei muitas portas abertas no mercado de trabalho. Para mim, vencer significa muito mais que uma viagem ao exterior, é uma grande vitória, uma realização pessoal que contribuiu e contribui com o crescer intelectual, uma vez que aproveitei todos os recursos disponibilizados no ambiente acadêmico, conclui satisfeita.

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