Por qualidade, alunos trocam escolas da periferia por uma central

¿Perto de casa é ruim¿, diz estudante no primeiro dia de aula da rede estadual de São Paulo

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Ainda estava escuro quando os alunos começaram a chegar para o primeiro dia de aula na escola estadual Anhanguera, na Lapa, bairro central da zona oeste de São Paulo. Como vieram de Pirituba, Jaraguá, Morro Doce, Santa Mônica e Anhanguera, calcularam mal o tempo até o local. Cada um destes bairros tem pelo menos um escola pública de ensino médio, mas os estudantes – e os pais – preferem o deslocamento a estudar nas opções próximas.

GUILHERME LARA CAMPOS/Fotoarena
Thais (à esquerda) vai do Morro Doce até a Lapa para "não ter problemas"
“Perto de casa é muito ruim”, diz Thais Lima Gomes, de 17 anos, moradora do Morro Doce. Ela conta que não se considera ótima aluna, nem gosta de estudar, só quer “algo para fazer” e traquilidade. “Nas escolas de lá, acontecem muitos problemas”, resume.

Ruan Soares Galhardo, de 16 anos, até freqüentou uma escola estadual de Pirituba, mas desistiu no meio do ano. “Eu comecei a trabalhar e ia para escola só para perder tempo, assistir a brigas, nunca ter aula, desisti”, lembra.

Ruan se matriculou na Anhanguera por sugestão do amigo Mike Willian, com quem havia estudado junto durante o ensino fundamental. “Não é que aqui seja uma maravilha: no ano passado a gente ficou sem aula de Física, a professora tirou licença maternidade e só apareceu no final do ano, para dizer que todo mundo ia ficar com média 6, mas alguns professores são bons e, quem quer, fica longe de encrenca”, comentou.

Os colegas Leonardo de Azevedo e Anderson Peixoto, ambos de 14 anos, vieram do Jaraguá e conheceram a escola nesta quinta. “Melhor do que lá tenho certeza que vai ser, a gente tem conhecidos que frequentas e sabe que é difícil ter aula, nem aluno nem professor levam a sério”, diz Peixoto.

Já Bianca Martins de Souza, de 14 anos, que morava em Sorocaba, no interior, e se mudou para Anhanguera, teve a escola selecionada pela mãe. “Ela não gostou da que era perto e como minha prima estudava aqui, achou melhor”, conta.

GUILHERME LARA CAMPOS/Fotoarena
Luana Letícia (de costas), que mora longe, matando a saudade das amigas que não viu durante às férias
Vizinha que não a conhecia, Luana Letícia, de 17 anos, afirma que a mãe de Bianca acertou. “É ruim morar longe da escola, mas a gente precisa ir atrás de algo bom”, afirma, matando a saudade das amigas que não viu durante as férias devido à distância.

Estilo padrão: fone de ouvido
Enquanto esperavam a abertura dos portões, a maioria dos alunos ouvia música. Mike e Ruan, de Pirituba, dividiam o fone de ouvido e escutavam a banda de metal pesado Dimmu Borgir. A dois metros,  Bianca, que veio de Sorocaba, escutava a cantora Manu Gavaz. Afastada, Kelly Luany Moreira, de 16 anos, acompanhava uma animada versão feita por Glee de Total Eclipse of My Heart.

Outro estreante na escola, Erickson Ferreira da Silva, de 15 anos, que vem do bairro Santa Mônica, ouvia sozinho o controverso sambista Belo. "Isso ajuda a gente a ficar tranquilo, cada um no seu estilo", diz.

Redes públicas voltaram esta semana

Além da rede estadual paulista, as férias acabaram nesta quinta no Distrito Federal . Durante os primeiros dias desta semana, voltaram às aulas a rede municipal de São Paulo, o Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Santa Catarina. Os sistemas particulares voltaram no início do mês.

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