Por dentro dos telescópios

Entenda como funcionam os instrumentos fundamentais para a astronomia.

Isis Nóbile Diniz |

Telescópio

O primeiro telescópio foi feito na Holanda, em 1608 . No ano seguinte, ao saber da invenção, Galileo Galilei criou seu próprio telescópio refrator. E revolucionou a astronomia ao apontá-lo para os céus. Esse telescópio é feito com duas lentes em cada extremidade de um tubo de couro.

A lente voltada para o objeto observado é chamada de objetiva e a para o olho do observador, de ocular. O telescópio é uma espécie de funil de luz, diz Renato Las Casas, coordenador do grupo de astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso porque as lentes ajudam a aumentar o objeto, mas a quantidade de luz que o aparelho capta depende da largura do telescópio. Quanto maior, mais luz ele leva para o olho.

Atualmente, os telescópios profissionais dos observatórios são diferentes dos refratores. Os refletores ou cassegranianos são baseados na modificação realizada pelo francês Guillaume Cassegrain, em 1672. Dois espelhos foram dispostos de forma que a luz chega diretamente ao objetivo ou primário. Em seguida, ela segue para o secundário convexo. Este manda a imagem para a lente ocular, disposta atrás do espelho principal.


Funcionamento do telescópio cassegranianos (Imagem/Reprodução)

O espelho apenas reflete a luz. Na lente, a luz transpassa o vidro. Assim, elas foram substituídas por espelhos para evitar imagens borradas. Teoricamente, a fabricação de um telescópio é simples. Mas cada lente ou espelho precisam ser muito precisos para ele passar as informações corretas, afirma Las Casas. Apesar da ideia ser a mesma, cada telescópio possui sua particularidade. O número de espelhos e lentes pode variar.

Luneta

Afinal, qual a diferença entre a luneta e o telescópio? Hoje em dia, nós chamamos de luneta todos os pequenos telescópios refratores ¿ aqueles portáteis, explica Las Casas. Existem diversos tamanhos de telescópios. O Hubble, com 2,40 m de diâmetro, é considerado de porte médio. O maior telescópio brasileiro, com 1,6 m de diâmetro, está localizado no Pico dos Dias, município de Brasópolis (MG). Os maiores do mundo, chamados de Keck, posuem 10 metros de diâmetro cada um. Eles estão instalados lado a lado no Havaí, Estados Unidos.


Exemplo de funcionamento de uma luneta (Imagem/Reprodução)

Telescópio espacial

Em 1990, foi colocado em órbita o telescópio espacial Hubble. Apesar de pequeno, se comparado aos Keck, possui uma vantagem: não sofre interferências da atmosfera terrestre. A luz proveniente de objetos do espaço é perturbada pela atmosfera da Terra. Ela é desviada, absorvida por outros objetos ou pode se espalhar quando entra na atmosfera, conta Las Casas.

A atmosfera terrestre possui nuvens, poeira, correntes de ar e vapor de água que atrapalham a observação. Por isso a maioria dos telescópios são instalados em altitudes altas. O Southern Astrophysical Research Telescope (SOAR), por exemplo, foi inserido na Cordilhera dos Andes, a 2.700 metros acima do nível do mar.

O Hubble é do tipo telescópio cassegraniano que completa uma rotação em torno da Terra a cada 97 minutos. À medida que viaja pela órbita, a luz dos objetos celestes atinge o espelho primário. Em seguida, ela segue para o secundário. Este focaliza a luz por meio de um buraco no espelho primário que a leva para seus instrumentos científicos. Quando a luz chega aos instrumentos científicos, eles trabalham individualmente ou em conjunto para fornecer a observação.

Cada um dos cinco instrumentos científicos foi concebido para analisar o universo de uma forma diferente - como checar a luz infravermelha ou a luz visível a olho nu. Todas essas funções do Hubble são alimentadas por energia solar. Para se manter funcionando ao passar pela sombra da Terra, foram instaladas baterias que armazenam a energia solar.


Esquema de funcionamento do Hubble (Imagem/Reprodução). Clique aqui para ampliar

Além disso, o telescópio espacial tem antenas para receber e enviar essas informações a um satélite. E também, computadores para processar as informações captadas e comandos enviados da Terra. Por sua vez, os satélites se comunicam diretamente com uma estação terrestre. Em seguida, a equipe localizada no laboratório Goddard Space Flight Center, da Nasa, nos Estados Unidos, recebe os dados. Esses engenheiros dão direções e comandos ao Hubble.

A equipe também envia os dados captados pelo Hubble para o Goddard Space Telescope Science Institute (STScI), nos Estados Unidos. Lá eles são traduzidos e arquivados na internet para astrônomos do mundo inteiro baixá-los e estudá-los. É muito dado. O telescópio espacial Hubble envia informações suficientes para encher 18 DVDs a cada semana.

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